28/05/09

Algumas Verdades Inconvenientes


O mundo das ondas na sua vertente comercial é um nunca mais acabar de falsidades, oportunismos e outras situações pouco claras e dúvidosas onde tudo vale em troca do vil metal. Quem surfa é visto apenas como um consumidor e o acto de Correr Vagas de Mar tornou-se num produto, tal como um sabonete, uma pasta de dentes ou outra qualquer coisa que se possa comprar num vulgar supermercado. Antes que surjam os comentários oportunistas, refiro mais uma vez que não sou contra a existência de marcas de bodyboard ou surf, o que sou é contra é o modelo baseado exclusivamente no lucro que as marcas comercias impõem. Que me "desculpem" os ofendidos ou os visados.

Algumas Verdades Inconvenientes:

1)As mentalidades de quem surfa estão tão condicionadas e manipuladas.
Que quem atacar ou simplesmente discordar do que é dito pelos "grandes gurus" do surf/bodyboard business é automaticamente olhado de lado e ostracisado. As marcas passaram a ser o simbolo social das ondas, sendo para muitos mais importantes do que as mesmas.

2) O conteúdos dos media da especialidade é totalmente dominado pelas marcas anunciantes. Os artigos e textos contidos nas revista e sites comerciais tem como objectivo servir os interessses das marcas que nestes anunciam, o que condiciona o tipo de informação distribuido de forma a influênciar o modo de pensar dos leitores, o que pode ser considerado como uma forma de falta de liberdade de impresa e manipulação. Esta situação tem como objectivo transformar os leitores em consumidores e apoiantes das iniciativas desenvolvidas pelas marcas em particular e pelo negócio de uma forma geral. A prova desta situação está no facto não ser possivel(ou rarrissimo) encontrar artigos de opinião que critiquem a forma de actuação de determinada marca ou de iniciativas associadas ao negócio das ondas.

3) Os campeonatos não são eventos desportivos, mas sim eventos promocionais, que visam única e exclusivamente promover comportamentos de compra. O que se pretende é promover os patrocinadores e patrocinados de modo a que se crie a ideia: se o "campeão" usa a marca A e venceu o campeonato então qualquer um que use a marca A poderá ser igual ao "campeão". Através de estatégias de marketing usa-se a ingenuidade, imaturidade e até pobreza de espirito dos espectadores/consumidores para alcançar objectivos meramente comerciais. Recentemente gerou-se a falsa ideia de que os campeonatos são úteis para a preservação das Ondas, pois contribuem para a sensibililazação das autoridades para a não construção de estruturas que destruam as Ondas e para evitar ou acabar com a poluição do Mar em zonas onde são praticados "desportos naúticos". O (falso) argumento é que só valorizando o lado económico se poderá dar valor as Ondas e assim preservá-las. Alguns factos que provam que os campeonatos (e a massificação dos desportos de ondas) em nada contribui para resolver o problema:

- Na Madeira eram realizados campeonatos internacionais, existem associações desportivas ligadas ao surf e bodyboard e a divulgação das ondas é um facto. Posto isto duas ondas conhecidas foram extintas e outras duas muito conhecidas sériamente danificadas. Ainda não acabou...

- Em Peniche (autodenominada a capital da onda), onde quase semanalmente se realizam campeonatos, onde foi inaugurado um Centro de Alto Rendimento para o Surf (!!!), onde os "atletas" dentro de águas, o turismo de surf e as escolas são demasiadas. Apesar disto no Molhe Leste desagua diariamente uma ribeira/esgoto de água preta nauseabunda. No Molhe Leste são realizados campeonatos. Ainda no continente, em Ribeira d'ilhas (a suposta meca do surf nacioanal segundo a Câmara Municipal de Mafra) a Etar construida deita para o canal da onda as águas provinientes do "tratamento" de esgotos, a qual segundo os engenheiros até serve para regar os jardim...mas não serve para ser bebida, "mas a surfar não se bebe àgua" dizem os engenheiros entendidos. Não são raras as vezes em que há suspeitas bem reais de que durante a noite há descargas sem tratamento. Existem clubes, campeonatos, muitos campeonatos e crowd, muito crowd. A continuação de exposição de exemplos seriam infinita.

- Em Mallaea, em Maui (Havai) na grande meca do surf mundial, com campeonatos, fotografos...(e tudo o resto x50) a onda mais rápida do mundo está ameçada pela construção de uma marina.

- Em Jefery's Bay, uma onda superlotada, com muitos campeonatos por ano e numa zona onde a população de praticantes é exorbitante, está ameaçada...

Uma ida ao site savethewaves.org demonstra a quantidade de lugares amplamente conhecidos e reconhecidos a nivel mundial onde existem ondas ameaçadas, o que demostra que a massificação não resolve nada e apenas acrescenta mais problemas aos existentes.

4) O discurso pseudo ecologista/ambientalista dos promotores do surf/bodyboard business é baseado na hipocrisia. Não existe difrença alguma entre um promotor imobiliário que olha para um espaço natural não urbanizado e ai constroi uma série de condominios e um promotor do negócio das ondas que olha para uma praia como um empreendimento onde instala surf schools e actividades baseadas no aumento de pessoas na água. Esta comparação é exactamente igual para quem divulga ondas desconhecidas como o intuito de se auto promover ou ganhar dinheiro com fotografias das mesmas. O principio base presente nas situações é exactamente o mesmo: a ganância. Quer o promotor imobiliário quer o promotor do negócio das ondas pegam num determinado espaço e destroem as suas características de modo servirem os seus interesses monetários. Se quem surfa não tem qualquer pudor em explorar (e destruir ou descaracterizar determinada realidade), que legitimidade tem em criticar o promotor imobiliário que faz o mesmo no seu campo de actuação ou negócio?

5) A guerra entre o surf e o bodyboard é uma imbecilidade liderada por imbecis. Numa primeira fase este conflito tinha uma razão territorial, pois face a uma nova "espécie" (o bodyboard), a "espécie" vigente (o surf) sentiu-se invadida, o que gerou situações de mal estar e uma rejeição inicial em relação aos praticantes de bodyboard. Apesar de ter um carácter duvidoso este conflito inicial poderá ser entendido ainda que não aceite como argumento. Actualmente este conflito ganhou um contorno sinistro, pois passou a ter por base questões comerciais. Existem abertamente disputas de patrocionios e correspondentes dinheiros entre o surf e o bodyboard. Existe mesmo quem incentive esta guerra meramente por questões de publicidade em revistas. Ambos os lados reclamam ser os detendores das maiores façanhas aquáticas de modo a que isso revertam em apoios estatais, publicidade e patrocinios. A guerra actual é meramente uma guerra comercial, na qual o surf, simplesmente não quer saber do bodyboard. Por seu lado os mentores do bodyboard comercial reclamam de tudo e de todos como se a existencia ou não de apoios fosse realmente importante para quem quer surfar.

6) Os preços dos materiais usados para surfar é desmesuradamente inflacionado desde o seu custo de produção até ao preço de venda. Acualmente a maior parte da indústria do surf e bodyboard deslocou as suas fábricas para o Oriente, onde a mão de obra é mais barata, onde os salários são irrisórios e os direitos dos trabalhadores quase inexistentes. Posto isto conseguem-se preço de custo muito baixos, o que aumenta exponencialmente os lucros na venda final dos produtos ao consumidor. Recentemente alguém ligado á venda de prancha de bodyboard em Portugal dizia-me que o preço de fabrico médio de uma prancha seria de 15 euros (refiro-me a pranchas de qualidade media/alta produzidas na maior fábrica de prancha do mundo instalada na Indónésia). Estas mesmas pranchas dependendo da marca ou modelo têm um preço final entre 200 e 250 euros, o que corresponde a uma inflação de mais de mil porcento (1000%) no custo final. Esta mesma equação aplica-se certamente a todo o material fabricado naquela parte do Oriente: restos de petróleo+mão de obra barata+exploração laboral = altos lucros.

Lendo este pequeno texto tirado do iol.pt pergunto-me onde está o retorno social e ambiental destas marcas a nível nacional e mundial. Não deveriam estes "senhores" dar um contributo visivel para questões ambientais, construção de fundos artificiais etc, etc, etc. "Só em Portugal, as lojas de venda de produtos relacionados com o surf, como a Quiksilver, Billabong e Rip Curl, movimentam entre 30 e 40 milhões de euros por ano. Só a Quicksilver, líder do mercado, facturou em 2008 cerca de 13 milhões de euros e a casa-mãe mais de mil milhões de euros, posicionando-se já como a quinta maior marca de desporto do mundo."

17/05/09

A Mãe de Todas as Ondas

A Mãe de Todas as Ondas não é apenas uma onda, é uma entidade viva, uma conjunção de fenómenos e de elementos que lhe conferem personalidade e vida própria. Por vezes chama por companhia, outras avisa que quer dançar sozinha.

A Mãe de Todas as Ondas é a medida de equivalência (não de comparação. pois esta não existe neste contexto) para todas as outras Ondas, as quais têm em maior ou menor escala as caracteristicas em si presentes.

A Mãe de Todas as Ondas é vaidosa e bonita e como tal cobiçada por quem não a entende. Como não é entidida por todos na sua plenitude pode ser ameaçada de diversos modos, uns óbvios outros escondidos.

A Mãe de Todas as Ondas é a Casa e Lugar Sagrado dos corredores de vagas que procuram nesta forma viva da Natureza parte essêncial da energia fundamental à vida quotidiana e á busca de algo muito para lá da mera aparência física das coisas.

30/03/09

"Fogo" Anti-Comercial

Será este o Ínicio de uma Nova Mentalidade?

"‘Fire’ is an anti-commercial, spiritual insight into the art of wave riding that aims to unite surfers of all forms, and even non-surfers."
in http://www.tsunamimag.com/articles/mike-stewart--fire.html

O recente filme de Mike Stewart é considerado pela critica como algo anti-comercial, não apenas não-comercial, mas anti-comercial, ou seja, como algo que se insurge contra o comercialismo existe neste meio aquático. Fico na dúvida se este anti-comercialismo será genuíno ou apenas mais uma forma comercial de vender a "
art of wave riding". Acreditando que é genuíno será uma importante chama na construção de uma nova mentalidade que assume o acto de correr Vagas de Mar como algo de espiritual e muito mais extenso do que o simples desporto, moda, tendência ou negócio. Quem entende o que é algo anti-comercial facilmente entenderá a necessidade de mudança de mentalidades e atitudes implicita no conceito, o que na sua aplicação prática divide os conceitos comercial e soul, apontando-os como conceitos opostos.

A ser verdade Mike Stewart poderá deixar de ser um mero 9x campeão do mundo de Bodyboard para se tornar em algo maior. Talvez num futuro admita publicamente que toda esta panafernália de competições, de marcas e de show-off não passam de coisas sem valor. Este seria um acto de coragem equiparado (ou quiça maior) ao de enfrentar as maiores e mais pesadas Ondas do planeta.

Quem sabe se ainda o convido para participar aqui neste blog...

PS: não vi nem comprei o filme. O trailer está no youtube e é grátis.

01/01/09

Evolução x Usurpação x Revolução x Devolução- Parte I

Correr vagas de Mar tem sido um processo desenvolvido ao longo de séculos, inicialmente em diversos pontos do Pacífico (?), sendo trazido para o ocidente nos anos 20/30 do séc.xx por alguns entusiastas/praticantes, e não por qualquer tipo de marca pois nesta altura estas não existiam. Cai assim por terra a falsa teoria de foram as marcas que inventaram o "surf".

No presente momento vivemos o período da Usurpação, no qual a Indústria (do surf, bodyboard e afins) tomou para si todo o controlo do contexto dos agora denominados "desportos de ondas". A Indústria com a colaboração dos média projecta na sociedade toda uma série de (falsos) "idolos" competidores e free-riders patrocinados que se apresentam como modelos de um modo de vida, o qual todos os restantes praticantes devem seguir. Claro está que para ser um surfista (ou simlar) moderno cada um de nós deve ter todo um conjunto de objectos materiais que façam de nós aderentes miltantes ao "surfing way of life", tendo sempre como deus uma qualquer marca, a qual devemos seguir e idolatrar sem questionar. As marcas passaram a ser tudo. As marcas passaram a ser indissociáveis das Ondas, chegando mesmo tornarem-se mais importantes do que as Ondas: o patrocinado pela marca x apanhou a maior Onda do mundo e só fez porque na sua aventura mediática usou o prancha z ou o fato y. Este passou a ser o pensamento actual aceite pela maioria dos ditos surfistas.

É deste modo necessário que se processe uma Revolução de mentalidades que tranforme cada praticante num indivíduo dotado de uma consciência bastante mais abrangente do que a actual, na qual somos apenas consumidores amorfos e paineis publicitários através do surf-wear. Com esta Revolução de mentalidades a Indústria será forçada a tomar o seu devido lugar: servir quem a sustenta ao invés de se servir sem qualquer retorno social ou ambiental. Aqui terá inicio a fase da Devolução. 

Na fase da Devolução a indústria terá necessariamente, por via da evolução da mentalidade dos praticantes, que servir e contribuir de forma positivamente activa na sociedade e no contexto das actividades de Ondas. Deixará de ser o topo para ser o sustento, deixará de a raínha para se tornar a serva. Deste modo o largos milhares ganhos com o surf, bodyboard e afins (considero tudo amesma indústria) serão usados não para comprar barcos e aviões para explorarem as Ondas, mas sim em projectos de carácter ecológico e ambiental, não para financiar viagens milionárias a equipas de patrocinados pelo mundo, mas sim para financiar projectos de protecção a Ondas ameaçadas, construção de fundos artificiais que permitam aumentar a qualidade das Ondas existentes,  e escoar o número de praticantes em determinadas zonas costeiras. A indústria passará a a usar o dinheiro ganho não apenas e unicamente para se sustentar, mas sim para servir o interesse real de quem a sustenta. Será assim obrigada a tornar-se uma indústria consciente. Cabe a cada um de nós tornar esta Devolução uma realidade.

23/11/08

O Culto do Olho Místico - Parte I (Introdução)

O Olho Místico é algo que apenas pode ser visto e sentido por aqueles que o procuram. Não podendo ser captado em imagens só pode ser representado em desenhos ou pinturas.

O Olho Místico é algo que não pode ser captado em imagens e apenas pode ser observado ou sentido em determinado tipo de ondas, em determinadas localizações geográficas ou circunstâncias específicas. O Olho Místico, enquanto forma de energia, apenas pode ser observado ou sentido na sua totalidade por aqueles que se entregam à arte de correr Vagas de Mar na sua forma mais pura.

Os mais cépticos negarão a existencia desta forma de energia, outros tenderão em confundi-la com simples adrenalina ou outra descarga química produzida pelo corpo humano. Na realidade o Olho Mísico é algo que provoca um "estado de consciência alterado" que pode variar de acordo com cada pessoa.

Ao longo do seu percurso um praticante avançado da vertente Soul desenvolve a capacidade de encontrar e de se fundir com esta energia de uma forma mais espitual do que física, ao mesmo tempo que aprende a capacidade de viajar no tempo. Esta capacidade é adquirida através de extremo esforço físico e psicológico, aliado a coragem e sacrifício pessoal.

29/08/08

Esclarecimento Importante

Uma das principais críticas feitas aos simpatizantes da vertente soul (e por isso não-comercial) de surfar é o facto de usarem fatos e pranchas criados pela indústria que criticam e que paralelamente sem esta indústria não existia surf ou bodyboard.

A questão aqui não é a critica à existencia de marcas, mas sim o total dominio destas no contexto das Ondas e actividades associadas. A crítica feita é a deturpação de surfar como um acto de comunhão com a Natureza, para se tornar num mero produto de consumo que apenas serve para vender algo e promover egos sem olhar a meios para atigir fins. As marcas e a indústria têm o seu papel e importância no referido contexto, mas não são a fonte, o ínicio nem o fim do processo. Correr Ondas começou como uma mistura entre ritual cerimonial e actividade lúdica, sendo posteriormente e ao longo do tempo transformada num mero desporto, muitas vezes totalmente desprovido de alma, no qual cada Onda corresponde apenas a uma pontuação que visa encontrar um vencedor que por sua vez vende as marcas que o patrocinam. De um extremo ao outro deste processo (in)volutivo desenvolveram-se várias abordagens que pendem mais para um extremo ou para o outro.

Uma outra crítica à vertente soul baseia-se no suposto argumento de que todos nós que vamos ao mar correr Ondas devemos gratidão às marcas e à indústria que fabricam o diverso material que utilizamos. Esta suposta gratidão esgota-se no exacto momento em que se paga (e bem) pelo material utizado para surfar, sendo que as marcas é que deveriam agradecer por haver quem lhes compre produtos e lhes pague o sustento e não o contrário. Ao criar novos produtos e materiais a industria não está a fazer favor algum a quem surfa, mas sim a encontrar meios de poder continuar a vender e a sustentar-se.

Querer negar o direito de quem surfa criticar a forma de actuação do surf e bb business é o mesmo que dizer que quem surfa não pode ter consciência e preocupações ambientais, uma vez que utiliza produtos derivados do petróleo para o fabrico de pranchas e fatos. Mais uma vez a responsabilidade desta utilização de materiais poluentes deveria ser uma preocupação primeira dos fabricantes que tem a responsabilidade de encontrar alternativas viáveis (tal como as pranchas surf feitas em balsa). A partir do momento em que existe possibilidade de escolha cabe ao consumidor agir de acordo com as suas convicções ambientais.

Pessoalmente penso que existe uma sobre-valorização do lado comercial/competitivo que fomenta uma mentalidade agressiva-competitiva na qual existe constantemente uma fricção pouco saudável. Simultâneamente as marcas e indústrias estão apenas voltadas para si mesmas e para os seus lucros, não existindo um retorno social visível para com o a comunidade que a sustenta nem para com o meio ambiente.

27/05/08

Corredores de Vagas de Mar



Em homenagem aos amigos, conhecidos e desconhecidos que fazem parte desta associação, deixo abaixo estes princípios ideológicos. Seria bom que mais pessoas entendessem a verdadeira essência da "arte de correr vagas de Mar".

Estatutos Ideológicos

1. Respeitar a arte de correr vagas de mar, tanto como actividade física, bem como a actividade espiritual, defendo-a de qualquer tipo de agressão que degrade a existência desta dualidade.

2. Proteger as ondas existentes de todas as acções que diminuam a sua qualidade inata, para a prática deste prazer de viver.

3. Criar novas ondas.

4. Defender o livre acesso a qualquer onda, em qualquer lugar, sempre.

5. Reduzir as situações de alto risco, no acesso ás ondas existentes, bem como as que forem restringedoras da máxima perfeição.

6. Rejeitar todas as actividades retrógradas, tendentes á anulação ou ao rebaixamento deste prazer de viver, até ao nível de um mero objecto de consumo, de natureza comercial, massificada, egocêntrica, chauvinista, agressiva, violenta, prepotente, sujeita a horários e incomoda para a paz de espírito.

7. O único campeonato que é louvável, é o que e feito no dia a dia, dentro da Alma de cada eterno aprendiz da perfeição.

8. A única onda privatizável, é a que é apanhada no ”pico”, ou atrás dele.

9. O único Troféu a cobiçar, é a felicidade pura e simples.

10. Usar o papel que nos é dado pelo destino, perante uma vida em perigo, salvando-a.

28/02/08

Soul Bodyboard X Bodyboard Comercial

Na imagem a analogia perfeita para representar a diferença entre Soul e Comercial como formas opostas e distintas de lidar e apreender o acto de Surfar, o Mar e as Ondas.

De todos os conceitos ligados bodyboard e ao surf existem duas abordagens opostas que determinam a forma como se olha para o surfar e que, de um modo mais ou menos importante (depende de cada um), acabam por influênciar a nossa vida em relação às Ondas e ao nosso percurso de vida a elas dedicado. Os meios de comunicação da especialidade actuais (revistas e sites) têm uma certa tendência para confundir este conceitos, especialmente no que diz respeito ao soul e ao free bodyboard, que muitas vezes nada tem que ver um com o outro.

Definindo estes conceitos:

Soul Bodyboard (ou soul surfing): É a abordagem mais evoluida do acto de surfar. Entende-se neste conceito que surfar uma Onda é um acto de harmonia com a Natureza em que cada praticante se exprime técnica e pessoalmente, quase como uma dança entre Ser Humano e Onda, entre nós e o meio ambiente que nos rodeia. Este conceito engloba o espíirito original de surfar, no qual estava unicamente presente o prazer de correr ondas, e simutâneamente (dependendo das convicções e crenças de cada um) uma ligação espiritual a algo superior. O Soul Bodyboard (ou soul surfing) é um caminho que se percorre no qual as ondas são um meio para que se atinja um patamar de existência mais elevado e implica um entendimento profundo do que realmente é estar no Mar tendo as Ondas como um dos principais motivos da existência individual. Neste conceito surfar não é apenas uma das facetas na vida, mas sim a faceta mais importante que ao longo dos anos determina as decisões individuais de cada um. Um Soul BodyBoarder será necessáriamente alguém que rejeita a visão comercial e a promoção pessoal, vivendo para surfar e não do surfar, uma vez que não retira daqui divendos financeiro. Surfar Ondas perfeitas e evoluir constantemente na sua busca será o único prémio que esta abordagem pretende.

Bodyboard Comercial (ou surf comercial): Esta abordagem têm como objectivo essêncial a exploração comercial das Ondas e de Surfar ao serviço de uma marca que paga ou patrocina alguém para a representar de forma a que essa representação se traduza em receitas e retorno financeiro. Esta forma de ver o surfar está ligada, ao instinto primitivo e básico de tudo querer transformar em dinheiro e a uma mentalidade mercantil que apenas vê no lucro a sua forma de actuação. Um Bodyboarder Comercial (ou Surfista Comercial) pode ser um competidor ou um free surfer, mas seja qual for a situação está sempre a representar uma marca e a vender-se a si e ás Ondas, sendo muitas vezes este o único objectivo das suas viagens e surfadas. Quem compete e quem serve os interesses comerciais das marcas e da indústria por definição nunca poderá ser um praticante Soul.

18/01/08

Sobre o Regresso ao Mar


Regressar ao Mar e reaprender nesta evolução constante.

Após algum tempo fora de água durante o mês de Dezembro regressei em Janeiro ao Mar. Para mim a noção de regressar ao mar tem dois significados totalmente distintos, mas que acabam por estar intimamente ligados. Se por um lado o facto de não poder correr ondas durante 3 semanas me fez sentir falta de Mar e água salgada, por outro lado relembrou-me uma ideia que tive há uns anos atrás e que inconscientemente sempre me guiou até me aperceber da sua existência.

A espécie humana (tal como toda a vida na Terra) segundo os cientistas provém do Mar. Provém de um organismo aquático que ao evoluir começou a passar cada vez mais tempo em terra seca até que por fim abandonou por completo (ou quase por completo) o meio líquido de onde teve origem. A meio do processo, ou em fase de "retrocesso/regresso", estão os mamiferos marinhos como as focas, golfinhos e baleias, os quais tal como nós humanos também surfam, e sem dúvida da forma mais pura que existe. Dei por mim a pensar que em todo o processo evolutivo, nós humanos, enquanto espécie perdemos (ou nunca tivemos) um objectivo geral, consciente e comum que nos conduzisse (talvez no tempo das cavernas fosse a sobrevivência e hoje em dia seja o consumismo que move a grande parte dos humanos "civilizados") e que a nossa evolução foi, e é, acima de tudo ditada por factores exteriores (acima de tudo ambientais e climáticos) à nossa consciência e vontade individual, quer como pessoas quer como espécie. A evolução humana nunca foi uma opção, mas sim uma consequência de vários factores externos que condicionaram e moldaram aquilo que somos hoje.

Neste contexto a opção humana de voltar ao Mar enquanto espécie e tornar-se um mamifero marinho seria um objectivo e um propósito a ser seguido pelas gerações que a isso se dedicassem. Não me parece impossível que, se o ser humano passar voluntáriamente mais tempo dentro de água, aumentando gradualmente a sua adaptação ao meio aquático de geração em geração, dentro de várias décadas ou séculos passariamos a estar cada vez mais ambientados e fisicamente adaptados a viver dentro de água. Com uma adaptação completa o Homem passaria a viver tal como os golfinhos, focas e baleias dentro de àgua.

Surfar seria assim um acto fisicamente inverso ao actual pois em vez de deixarmos terra firme para entrar em contacto com as Ondas, deixariamos temporáriamente, durante uns breves momentos, de estar submersos para vir à superfície, não para respirar, mas sim para correr ondas e apenas surfar...

Sobre o Altar Mar II

Durante o ano de 2008 irei manter a filosofia de pensamento utilizada até agora, procurando porém apresentar temas e acrescentar situações que permitam aprofundar o conceito de Soul Surfing numa perspectiva místico-filosofica com um carácter transcendental, como algo que está para além de mero aspecto físico espacio-temporal. Talvez esta perpectiva não seja aceite por todos, e será certamente recusada por todos aqueles que não a conseguem entender, porém penso que é extremamente importante apresentar novas formas de olhar para o Mar, mesmo que apenas interessem a uma minoria.

Quanto ao sentido crítico e anti-comercial do Altar Mar, estará igualmente presente e será usado sempre que pretenda manifestar o meu desagrado face a uma situação ou acontecimento. Para quem ao longo do último ano visitou este blog e aqui encontrou algo de interessante (deixando ou não um comentário) convido a passar mensalmente por este espaço online, visto que todos os meses irei inserir um novo tema, o qual deixo sempre aberto para debate e comentários.

Para mais informações sobre os objectivos e ideologia deste blog consulta:
http://altarmar.blogspot.com/2007/01/sobre-o-altar-mar.html

31/12/07

Surfar no Inferno...


Um eterno dualismo. Uma luta de contrários.

O Inferno é uma Onda que vejo da janela de casa nos dias acima de 2 metros. Surfar sempre foi para mim a mais próxima analogia com o conceito de Paraíso, porém é estranho ver como Paraíso e Inferno caminham de forma oposta e simultâneamente tão perto...(em desenvolvimento)

18/11/07

Boicote ao Comercialismo


Soul Surfing contra o comercialismo

O mundo das ondas foi totalmente dominado por um comercialismo que explora a arte de surfar de uma forma onde apenas interessa o dinheiro que é ganho. Quem gosta do cada vez mais crescente crowd, dos campeonatos, das escolas, das roupas "surfing way of life" enfim do circo em surfar se tornou pode continuar a deixar tudo na mesma. Quem por outro lado procura no surfar e nas ondas algo de superior em que nos encontramos com o nosso Eu e com a Natureza pode optar por em prática algumas das acções que abaixo refiro. Cada um saberá a forma como melhor poderá contribuir para que surfar volte a ter um espirito mais puro e livre.

Acções contra o Comercialismo:
· Compra apenas do material exclusivamente necessário para surfar e rejeição de todas necessidades, artificialmente criadas pelas marcas de outros produtos.
· Boicote a campeonatos, através da não participação nos mesmos e se possivel por permanecer na àrea de competição. Que direito tem uma marca de impedir que alguém surfe numa praia?
· Boicote á compra de revistas e filmes que exploram a arte de surfar e a tornam num desporto de massas sob a forma de um produto de consumo.
· Boicote ao surfwear no geral, pois não é a roupa que nos faz bodyboarders ou surfistas, mas sim o espirito que está dentro de cada um. Ao usarmos estas marcas estamos a ser usados como paineis publicitários e ainda estamos a pagar para isso.
· Boicote às escolas de Bodyboard e de surf, pois são apenas uma forma de exploração da ingenuidade e pouca experiência dos seus alunos, que após atinguirem um nível básico logo percebem que não necessitam das referidas escolas para nada.
· Boicote ao wannasurf e a outros sites de divulgação de ondas. Este sites são meramente sites comerciais que vivem da publicidade, ou seja usam a divulgação das ondas como forma de atrair utilizadores e de ganhar dinheiro.

Outras acções poderam ser posta em prática de forma individual e colectiva, deste modo seria interessante a formação de um movimento de corredores de vagas contra o comercialismo com a participação de todos os que têm uma ideia diferente da actual e que desejam ver outro futuro para a magnífica Arte de Surfar. Vida longa ao verdadeiro espírito de surfar...

30/10/07

Ondas de Colchão e Barbatanas

Esta é a resposta visual a todos os fanáticos do desenvolvimento que acham que sem o boom do surf business ninguém podia surfar. Fica aqui a indicação para um filme que descobri no DaShelter.blogspot.com. Tenho a certeza que aqui este amigo se diverte mais com o seu material retrogado do que muitos com o ultimo grito da aquadinâmica aplicada às pranchas.

http://www.youtube.com/watch?v=ljNxUhRQWWM&eurl

28/09/07

Sobre Ondas e Amizades

Não é o simples facto de surfar que nos torna amigo de alguém, mas sim a sintonia com que olhamos para as ondas... ( em desenvolvimento)

30/08/07

Sobre as Escolas e os Campeonatos

Qualquer iniciativa que vise a exploração comercial e transformação dos "desportos de ondas" em produtos de consumo é sempre questionável, e do meu ponto de vista reprovável. Surfar é algo que não se vende, é algo que não é um produto de consumo, é um prazer que se aprende, mas não se ensina, é uma filosofia de vida e não uma competição medidas em pontos e em número de manobras. Surfar é acima de tudo uma arte de correr Vagas de Mar e como arte que é está mais perto da poesia visual e da dança do que do desporto. As escolas e os campeonatos pouco ou nada têm de lúdico e apenas fazem parte de um negócio que não visa servir alguém, mas sim converter o acto de surfar em algo vendável.

Surfar é algo que não se paga para aprender, mas sim que se transmite com amizade àqueles com os quais nos identificamos. É também algo que se apreende sozinho por sentimento, emoção e vontade de evolução e superação pessoal.

Surfar é algo que não pode ser medido em pontos, e que se deturpa quando é usado como forma de vender algo e de promover comportamentos de consumo.

19/07/07

Sobre o Antigamente




Agradeço ao L. por estas fotos, não pela qualidade mas pelo que significam.

Muitas vezes se ouve dizer "Antigamente é que era bom...".
Não sou demasiado saudosista, talvez seja apenas um pouco nostálgico, mas em termos de surfar tenho que concordar com esta frase.

As fotos acima são de um dia em que surfei sozinho com um amigo, que ainda ficou um bom bocado a fotografar o que me deixou num paraiso privado por quase uma hora. Lembro-me que esse dia foi em 1999 e foi uma das primeiras surfadas que fiz após estar uns tempos valentes numa terra distante.

Gostava que as novas gerações pudessem igualmente sentir o prazer de surfar uma onda sem que isso fosse um exercício de disputa. Neste processo marco o ano de 2000 como o início de toda uma dinâmica negativa de aumento de crowd. Após esta data voltei a estar bastante tempo fora...cada vez que voltava a coisa estava pior e o mau ambiente na àgua era cada vez mais uma constante. Era como observar algo a degradar-se rapidamente pelas mãos de uns quantos que viram no surfar uma forma de se promoverem e de tentar ganhar alguns tostões. Que tristes, nem se deram contam do que destruiram...

21/06/07

Sobre o Verão

Hoje começa o Verão...é a altura ideal para viajar para o Hemisfério Sul onde começa o Inverno. Nunca achei muita graça ao Verão português...

04/05/07

Sobre o Localismo - Parte I


Ser local é muito mais do que viver na praia...Foto: Pedro Ferro

O localismo é essencialmente um reflexo do excesso de exposição mediática de uma onda
ou zona, sendo nesta perspectiva ainda uma tentativa de evitar a invasão pelo crowd dessa mesma onda ou zona. Numa outra perspectiva será um acto irracional, violento e totalmente reprovável por parte de um grupo de residentes contra todos os forasteiros. Cada um terá a sua ideia acerca deste fenómeno.

Pessoalmente penso que local é aquele que vivendo ou surfando regularmente uma determinada onda se sente como pertencente a esse lugar, se sente com a responsabilidade de defender aquele espaço, que por ser de todos também é seu. Este direito ou legitimidade vem-lhe do facto de um local ser aquele que nos dias de chuva, de vento, de mar torto ou de faltada está sempre presente e não quem apenas aparece com ar triunfante nos dias clássicos de off-shore. Um local sente o espaço onde surfa como seu e sente igualmente que tem o dever de o preservar contra qualquer situação que de alguma forma possa por em causa toda a involvente fisica e espiritual que circunda as ondas. Um local têm preocupações urbanísticas, ecológicas, ambientais e sociais relacionadas com o lugar onde vive e surfa. É exactamente esta constante presença e sentido de pertença que faz de alguém local, mais do que propriamente o seu elevado, ou não, nivel técnico ao correr uma vaga de mar.

Local é por fim aquele que viajando sabe respeitar os outros locais, adquirindo uma postura não competitiva dentro de água, é aquele que sabe respeitar os outros que nessa zona são locais e que consegue entender que não é correcto disputar ondas nem armar-se em galifão. Local é ainda aquele que rejeita que as ondas que surfa sejam divulgadas nos diversos media e que convida a ir embora aqueles que não sabem respeitar esta opção.

Para acabar local é quem se impõe pela presença constante e pela determinação com que acarinha aquele pedaço de mar que sente como seu e no qual o sal do seu suor se mistura com o sal do mar e das ondas. Nesta perspectiva também eu serei local do lugar onde moro e das ondas nas quais ao longo dos vários anos tenho sido presença constante, ondas essas que fazem irremediável parte da minha vida. Muito mais, de positivo e negativo, haveria para dizer sobre o localismo...

17/03/07

Sobre a Divulgação de Ondas Desconhecidas - Parte I

Dedicado a ti desconhecido que sabes guardar em segredo as ondas que encontrares...

Num mar cada vez mais sobrelotado
a preservação algumas ondas desconhecidas é um acto de consciência que nos permite encontrar um ocasional refúgio que se pode partilhar com aqueles com quem realmente gostamos de surfar.

A importância dos chamados "secrets" é cada vez maior para todos os que buscam no surfar um prazer supremo e único, cabendo-lhes por isso a, quase, obrigação de os proteger. Não me refiro à prática constante de um localismo violento e agressivo, mas acima de tudo a uma acção constante e dissuadora que de uma forma efectiva impeça esta divulgação. É realmente triste termos que conviver com pessoas, que estando no mar, têm a constante preocupção em mostrar as suas conquistas e descobertas de modo a poderem ser reconhecidas públicamente. Uma onda não é à partida propriedade privada de ninguém, mas será certo que quem a frequenta regularmente ou vive numa determinada zona deva ver respeitada a sua opção em não divulgar essas mesmas ondas. Esta é uma situação que todos nós devemos respeitar, principalmente no que diz respeito aos "surf media". Ben Severson, um dos pioneiros do Bodyboard e um dos primeiros a surfar Teahupo, hoje afirma que essa foi a última vez que levou um fotografo para surfar uma onda desconhecida.

Agradeço a todos os que ainda mantêm desconhecidas as ondas que surfam e também a todos os outros que sabem respeitar esta opção. A todos os que em posse de um segredo resistem à tentação do divulgar ao mundo. Uma onda é algo que se partilha com alguém que respeitamos e que nos respeita e não uma vulgar coca-cola que se serve num vulgar restaurante de comida rápida barata a todos os que aparecem. Tenho profunda pena de quem não consegue entender este conceito, pois revela a limitação da sua visão das ondas.

Agradeco-te a ti desconhecido por saberes respeitar esta opção e sê sempre bem-vindo...