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01/07/10

Manifesto Anti-Vert

Para a comemoração do exemplar número 100 da "Bíblia" do Bodyboard Comercial em Portugal decidi escrever um manifesto através do qual exponho as razões do meu total e absoluto desprezo e oposição à ideologia e estatuto editorial deste amontoado de páginas que ao longo dos anos tem poluído as cabeças de muitos dos que se fazem ao Mar.

Num breve resumo considero esta publicação (a Vert) como o maior lixo editorial dos "desportos de ondas" existente no nosso país.

As minhas razões, aqui, brevemente...

25/05/10

Junta-te á (R)Evolução


Evoluir e atingir alguma maturidade como Corredor de Vagas passa também pelo facto de se entender que existe um enorme fosso, um completo conflito de interesses entre nós (Corredores de Vagas) e a Indústria (do bodyboard e do surf) juntamente com os seus cães de guarda. O nosso objectivo é acima de tudo uma busca por um estado de comunhão e harmonia com o Mar e com as Ondas. O deles (da Indústria e dos cães de guarda) é transformar cada Onda surfada em euros, em dólares, em ganância, em algo que serve para vender os seus produtos . Para eles uma Onda não serve para ser surfada, serve para ser explorada como um vulgar objecto de consumo desprovido de qualquer valor ou conteúdo para lá do material.


Cabe a cada um de nós entender esta realidade e marcar a sua posição de oposição. Cabe a cada um de nós Evoluir e juntar-se á Revolução. Para bom entendedor meia palavra basta...

11/05/10

Bodyboard: O Triste Estado da Nação

Uma análise resumida de 22 anos de Mar e de Ondas em contacto com a realidade maioritáriamente pobre de espírito caracterizada por um misto fanfarão de gabarolice e frustração (devido à falta de apoios e reconhecimento público...) aliada a uma mentalidade tendencialmente mercantilizada e viciada em campeonatos e nas suas "estrelas", formada ao longo de anos por perspectivas editiorias, "jornalísticas" e pessoais baseadas em fracos argumentos e pobres conteúdos. Como diria Gonçalo Cadilhe " O surfista médio português nunca agradeceu a sorte de ser surfista. Canalha..." Lamento (como bodyboarder) ter que acrescentar que o bodyboarder típico português é bem pior.

O Mar e as Ondas são Grandes em todos o significados que cabem na definição de grandeza. O Bodyboard é sem dúvida uma "disciplina" extremamente eficiente para quem se quer aventurar em Ondas de dificuldade superior. Surfar é absorver a energia das Ondas e estar em harmonia com o seu tempo. Pena é que grande parte dos ditos bodyboarders e surfistas sejam pequenos (muito pequenos mesmo)...ainda quando gritam aos quatro ventos que são os maiores. - Em desenvolvimento

PS: agredeço que os comentários fiquem para após o texto estar terminado, de modo a que se evitem considerações dúvidosas e confusões quanto ao sentido que eu como autor pretendo dar a este texto.

03/11/09

Campeonatos do mundo e outras coisas realmente pouco importantes II: O surf turismo massificado

Associado ao turismo dos campeonatos, está também o turismo de surf de forma massificada, o qual tem sido alvo de estudos universitários e financeiros sobre a sua viabilidade e benefício económico para o país. Um "cluster" (mercado-alvo) por explorar dizem as iminentes figuras que se esqueceram de colocar nas suas equações matemáticas a mais importante variável que acenta no simples facto de que o excesso de praticantes não ser compatível com o desenvolvimento sustentável e sustentado da actividade e que ao massificar tendo em vista objectivos de milhões de euros por ano se mata a galinha dos ovos de ouro.

Num desses estudos era apresentado um panorama no qual 10 Km de costa portuguesa com ondas de qualidade e que tivessem em permanência 2000 (dois mil) turistas a ficarem na zona uma semana representaria uma receita anual de 100 milhões de euros. Ora 2000 turistas divididos por 10 Km daria 200 turistas por cada km ou seja 5 pessoas por metro, o equivalente à lata de sardinhas. Acrescentando a estes 2000 turistas outros 2000 residentes (certamente que serão muitos mais) dá para entender que algo iria correr muito mal com todos estes muitos mil praticantes dentro de água a disputarem ondas e claro está que esses 2000 turistas apenas teriam acesso aos restos de ondas que os residentes (já de si demasiados) lhes deixassem. Exemplos negativos como este são uma realidade na Austrália, California, Canárias e no Havai com todas as consequências negativas conhecidas ao mesmo tempo que continuam a existir projectos de engenharia marítima que poêm em risco alguma ondas conhecidas e que atraem milhares de turistas.

Até entendo a lógica bem intencionada de quem fez este estudo que teria como finalidade mostrar que a preservação das ondas poderia ser uma mais valia para a economia de uma região, mas na realidade este estudo é apenas baseado em factores técnicos esquecendo o factor humano que é o mais importante e complexo na avaliação de qualquer situação. Por outro lado colocar a questão apenas no dualismo: turismo massificado versus destruição das ondas é reduzir as opções, anular a democracia em que vivemos (ainda é uma democracia, não é? ou pelo menos dizem-nos que sim...) e apresentar argumentos errados para a resolução dos problemas ao mesmo tempo que se criam novos problemas em cima dos já existentes.

01/11/09

Campeonatos do mundo e outras coisas realmente pouco importantes I























Em Portugal durante este ano realizaram-se 5 "importantes" etapas dos circuitos mundiais
de bodyboard e de surf. Algumas mentes brilhantes afirmam que estes eventos são uma enorme vantagem para os desportos de ondas e até para a economia do país. Certo é que trazem dinheiro ao comércio local, que dinamizam a vertente competitiva nacional, que geram muito dinheiro e tal e tal. E para quem surfa (leia-se quem surfa apenas por prazer e amor à arte) quem vantagens trazem? Dos milhões ganhos que percentagem é usada para promover a preservação das várias ondas ameaçadas em todo o país? Será que nos locais onde foram realizadas essas provas deixaram de haver descargas de esgotos a céu aberto (Molhe Leste e Monte verde) ou que se aumentou a sensibilidade das autarquias para a preservação das Ondas?

Parece-me óbvio que qualquer receita financeira gerada por quaquer coisa relacionada com os "desportos de ondas" deveria reverter acima de tudo e em primeiro lugar em favor da comunidade e não apenas a favor dos competidores que ganham os prize-money ou para a economia local que aproveita a situação para ganhos extra sem qualquer reinvestimento no surf ou bodyboard nos seus diversos contextos. Algumas mentes brilhantes dirão que é um benefício, uma mais valia e outros argumentos similares poder ver ao vivo os melhores do mundo. Pois para mim este argumento nem sequer é argumento e acredito que existam mais pessoas que não se contentam em que o retorno do surf business perante a comunidade seja apenas presente-á-las com os melhores artistas do circo de surf e bodyboard mundial. "Com pápas e bolos..." diz o ditado popular.

Com os milhões ganhos e gastos não seria mais útil promover a construção de fundos artificiais que protejam a costa da erosão do mar, que aumentem a diversidade de opções e a qualidade das ondas em diversos lugares que sofrem de excesso de praticantes por m2. Isto sim seria uma vantagem real para toda a comunidade e o caminho mais correcto para dar resposta a actual realidade. Há que entender que o surf business tem uma lógica fechada na qual se serve a si mesmo e apenas áqueles que nele participam, esquecendo-se totalmente da sua base de sustentação que é a comunidade, que não compete, que é anónima e que de uma ou outra forma surfa por por amor à arte. O pior é mesmo quando uma parte significativa (talvez a maior parte mesmo...) dessa comunidade, não exerce o seu direito em exigir responsabilidade e contrapartidas em relação aos negociantes das ondas, abdicando do seu sentido crítico que foi trocado pela adoração dos idolos, dos campeões, das marcas e dos campeonatos para português ver.

29/08/09

A Publicidade torna-nos estúpidos. A Publicidade toma-nos por estúpidos


Esta é a regra nº1 para quem leia uma revista de surf ou bodyboard
. As revistas de bodyboard e surf tem, de forma generalizada, como objectivo primeiro vender algo. Muitas afirmam-se como as responsáveis pelo desenvolvimento dos "desportos de ondas" ao mesmo tempo que promovem a defesa dos interesses dos seus praticantes, mas na verdade e na prática pouco ou nada mais fazem do que impingir modelos de comportamento tendo em vista o consumo das marcas que nelas anunciam.

Quase tudo numa revista é publicidade, quer seja esta paga ou não, directa ou indirecta, explicita ou encoberta. Como? As incessantes páginas de publicidade são a primeira linha e a mais óbvia, porém as entrevistas e as fotos com as marcas patrocinadoras estrategicamente colocadas têm como objectivo fazer passar uma mensagem: quem usar a marca X vai ser igual ao fulano que é campeão e que usa essa mesma marca. Esta é a base estratégica de toda a indústria do bodyboard e do surf: tentar convencer-nos que se comprar-mos os produtos que os "prós" usam seremos iguais a eles. Aqui reside a dualidade que dá origem ao título deste deste texto. Por um lado a publicidade julga que apenas por transmitir algo consegue convercer o público (ou seja toma-nos por estúpidos), por outro é bem verdade que pela "força" das mensagens transmitidas muitos se deixam facilmente convencer abdicando do seu sentido crítico (ou seja tormam-se estúpidos).

Lembro-me de ler algo sobre a estratégia de Marketing usada por uma grande marca, a qual fez coincidir a inserção de publicidade dos novos calções de um mega campeão do mundo com a distribuição antecipada e massificada desses mesmos calções em todas as lojas em que era vendia. A ideia era criar a necessidade (de ter os tais calções) e consequentemente provocar um comportamento de compra (o de comparar os tais calções).

Termino este texto com três questões. O que se poderá pensar de alguém que vai a correr comprar uns calções apenas porque são de um qualquer campeão do mundo? O que se deverá pensar das marcas de surf e bodyboard que usam todos os estratagemas possiveis e imaginários para impor os seus ideiais mercantilistas à comunidade com o objectivo de transformar cada um de nós num mero consumidor? O que pensar destas marcas e dos seus "cães de guarda" que visam o lucro fácil através da transformação da Arte de Correr Vagas de Mar num mero produto de consumo massificado, descaracterizado e estereotipado?

18/07/09

A "Sociedade Secreta" Irlandesa





















O barco mercantil dos exploradores sem alma brevemente será afundado...

Existe na Irlanda um movimento de Corredores de Vagas
cujo objectivo é travar, impedir e sabotar as iniciativas do surf-business. Antes da chegada deste Verão conheci um Corredor de Vagas irlandês, que após entender a minha perspectiva em relação às Ondas e ao acto de Surfar me falou de um grupo de conterrâneos seus que se opõem ao actual modelo de desenvolvimento dos chamados "desportos de ondas", baseado única e exclusivamente no negócio materialista, obliterando completamente a vertente espiritual desta actividade. Tentei em vão procurar na internet mais informação sobre este grupo, dai o título de "sociedade secreta". Pelo que sei é composto por corredores de vagas das várias disciplinas existentes nesta arte, os quais tem inspirações eco-ambientalistas passando pelo druismo e filosofias similares que buscam o encontro entre o ser humano e a sua Mãe Natureza. Sempre que possivel constroem as suas próprias pranchas e recusam o máximo possivel qualquer ligação ao "business" mercantil em que o mundo das Ondas se tornou. Paralelamente desenvolvem frequentemente actividades de boicote a campeonatos, divulgação de Ondas em surfmags e todo o tipo de acções que visem por um lado divulgar a vertente "soul" e por outro impedir que o lado comercial tome conta da zona onde habitam.

Em Portugal este tipo de mentalidade pró-activa e anti-comercial encontra alguns pólos de actividade, sendo nas Regiões Autónomas que se verificam os mais fortes sinais da sua existência, dado que no rectangulo continental o lado obscuro do negócio já consporcou quase totalmente o panorama com as consequências que se conhecem, sem que dai não tenha vindo nada de positivo para quem surfa por amor à arte.

Durante muitos anos a Cocovama açoriana pôs em prática o lema "Soul surfers são benvindos. Surfistas profissionais e fotógrafos vão para casa", nesta perpectiva recebiam bem quem sabia respeitar a essência das coisas e convidavam a ir embora os que não vinham por bem...

Na Madeira, apesar de "não-organizado" existe um movimento que fez frente e impediu a realização de campeonatos internacionais que alguns "gurus" continentais desejavam organizar na Região. O seu argumento é simples e credível: a realização destes campeonatos nada tráz de positivo, servindo apenas para explorar as Ondas sem qualquer tipo de benefício para os residentes que surfam. Por outro lado iria dar razão às autoridades madeirenses que afirmam que as continuas construções marítimas em nada afectaram a qualidades das Ondas. Qualquer um sabe que algumas destas Ondas foram seriamente afectadas e outras completamente destruidas.

Posto isto, são de louvar todos os que não se submetem à vontade alheia e que se batem pela manutenção de valores que vão muito mais além do que a vontade do vil metal e dos seus seguidores.

28/05/09

Algumas Verdades Inconvenientes


O mundo das ondas na sua vertente comercial é um nunca mais acabar de falsidades, oportunismos e outras situações pouco claras e dúvidosas onde tudo vale em troca do vil metal. Quem surfa é visto apenas como um consumidor e o acto de Correr Vagas de Mar tornou-se num produto, tal como um sabonete, uma pasta de dentes ou outra qualquer coisa que se possa comprar num vulgar supermercado. Antes que surjam os comentários oportunistas, refiro mais uma vez que não sou contra a existência de marcas de bodyboard ou surf, o que sou é contra é o modelo baseado exclusivamente no lucro que as marcas comercias impõem. Que me "desculpem" os ofendidos ou os visados.

Algumas Verdades Inconvenientes:

1)As mentalidades de quem surfa estão tão condicionadas e manipuladas.
Que quem atacar ou simplesmente discordar do que é dito pelos "grandes gurus" do surf/bodyboard business é automaticamente olhado de lado e ostracisado. As marcas passaram a ser o simbolo social das ondas, sendo para muitos mais importantes do que as mesmas.

2) O conteúdos dos media da especialidade é totalmente dominado pelas marcas anunciantes. Os artigos e textos contidos nas revista e sites comerciais tem como objectivo servir os interessses das marcas que nestes anunciam, o que condiciona o tipo de informação distribuido de forma a influênciar o modo de pensar dos leitores, o que pode ser considerado como uma forma de falta de liberdade de impresa e manipulação. Esta situação tem como objectivo transformar os leitores em consumidores e apoiantes das iniciativas desenvolvidas pelas marcas em particular e pelo negócio de uma forma geral. A prova desta situação está no facto não ser possivel(ou rarrissimo) encontrar artigos de opinião que critiquem a forma de actuação de determinada marca ou de iniciativas associadas ao negócio das ondas.

3) Os campeonatos não são eventos desportivos, mas sim eventos promocionais, que visam única e exclusivamente promover comportamentos de compra. O que se pretende é promover os patrocinadores e patrocinados de modo a que se crie a ideia: se o "campeão" usa a marca A e venceu o campeonato então qualquer um que use a marca A poderá ser igual ao "campeão". Através de estatégias de marketing usa-se a ingenuidade, imaturidade e até pobreza de espirito dos espectadores/consumidores para alcançar objectivos meramente comerciais. Recentemente gerou-se a falsa ideia de que os campeonatos são úteis para a preservação das Ondas, pois contribuem para a sensibililazação das autoridades para a não construção de estruturas que destruam as Ondas e para evitar ou acabar com a poluição do Mar em zonas onde são praticados "desportos naúticos". O (falso) argumento é que só valorizando o lado económico se poderá dar valor as Ondas e assim preservá-las. Alguns factos que provam que os campeonatos (e a massificação dos desportos de ondas) em nada contribui para resolver o problema:

- Na Madeira eram realizados campeonatos internacionais, existem associações desportivas ligadas ao surf e bodyboard e a divulgação das ondas é um facto. Posto isto duas ondas conhecidas foram extintas e outras duas muito conhecidas sériamente danificadas. Ainda não acabou...

- Em Peniche (autodenominada a capital da onda), onde quase semanalmente se realizam campeonatos, onde foi inaugurado um Centro de Alto Rendimento para o Surf (!!!), onde os "atletas" dentro de águas, o turismo de surf e as escolas são demasiadas. Apesar disto no Molhe Leste desagua diariamente uma ribeira/esgoto de água preta nauseabunda. No Molhe Leste são realizados campeonatos. Ainda no continente, em Ribeira d'ilhas (a suposta meca do surf nacioanal segundo a Câmara Municipal de Mafra) a Etar construida deita para o canal da onda as águas provinientes do "tratamento" de esgotos, a qual segundo os engenheiros até serve para regar os jardim...mas não serve para ser bebida, "mas a surfar não se bebe àgua" dizem os engenheiros entendidos. Não são raras as vezes em que há suspeitas bem reais de que durante a noite há descargas sem tratamento. Existem clubes, campeonatos, muitos campeonatos e crowd, muito crowd. A continuação de exposição de exemplos seriam infinita.

- Em Mallaea, em Maui (Havai) na grande meca do surf mundial, com campeonatos, fotografos...(e tudo o resto x50) a onda mais rápida do mundo está ameçada pela construção de uma marina.

- Em Jefery's Bay, uma onda superlotada, com muitos campeonatos por ano e numa zona onde a população de praticantes é exorbitante, está ameaçada...

Uma ida ao site savethewaves.org demonstra a quantidade de lugares amplamente conhecidos e reconhecidos a nivel mundial onde existem ondas ameaçadas, o que demostra que a massificação não resolve nada e apenas acrescenta mais problemas aos existentes.

4) O discurso pseudo ecologista/ambientalista dos promotores do surf/bodyboard business é baseado na hipocrisia. Não existe difrença alguma entre um promotor imobiliário que olha para um espaço natural não urbanizado e ai constroi uma série de condominios e um promotor do negócio das ondas que olha para uma praia como um empreendimento onde instala surf schools e actividades baseadas no aumento de pessoas na água. Esta comparação é exactamente igual para quem divulga ondas desconhecidas como o intuito de se auto promover ou ganhar dinheiro com fotografias das mesmas. O principio base presente nas situações é exactamente o mesmo: a ganância. Quer o promotor imobiliário quer o promotor do negócio das ondas pegam num determinado espaço e destroem as suas características de modo servirem os seus interesses monetários. Se quem surfa não tem qualquer pudor em explorar (e destruir ou descaracterizar determinada realidade), que legitimidade tem em criticar o promotor imobiliário que faz o mesmo no seu campo de actuação ou negócio?

5) A guerra entre o surf e o bodyboard é uma imbecilidade liderada por imbecis. Numa primeira fase este conflito tinha uma razão territorial, pois face a uma nova "espécie" (o bodyboard), a "espécie" vigente (o surf) sentiu-se invadida, o que gerou situações de mal estar e uma rejeição inicial em relação aos praticantes de bodyboard. Apesar de ter um carácter duvidoso este conflito inicial poderá ser entendido ainda que não aceite como argumento. Actualmente este conflito ganhou um contorno sinistro, pois passou a ter por base questões comerciais. Existem abertamente disputas de patrocionios e correspondentes dinheiros entre o surf e o bodyboard. Existe mesmo quem incentive esta guerra meramente por questões de publicidade em revistas. Ambos os lados reclamam ser os detendores das maiores façanhas aquáticas de modo a que isso revertam em apoios estatais, publicidade e patrocinios. A guerra actual é meramente uma guerra comercial, na qual o surf, simplesmente não quer saber do bodyboard. Por seu lado os mentores do bodyboard comercial reclamam de tudo e de todos como se a existencia ou não de apoios fosse realmente importante para quem quer surfar.

6) Os preços dos materiais usados para surfar é desmesuradamente inflacionado desde o seu custo de produção até ao preço de venda. Acualmente a maior parte da indústria do surf e bodyboard deslocou as suas fábricas para o Oriente, onde a mão de obra é mais barata, onde os salários são irrisórios e os direitos dos trabalhadores quase inexistentes. Posto isto conseguem-se preço de custo muito baixos, o que aumenta exponencialmente os lucros na venda final dos produtos ao consumidor. Recentemente alguém ligado á venda de prancha de bodyboard em Portugal dizia-me que o preço de fabrico médio de uma prancha seria de 15 euros (refiro-me a pranchas de qualidade media/alta produzidas na maior fábrica de prancha do mundo instalada na Indónésia). Estas mesmas pranchas dependendo da marca ou modelo têm um preço final entre 200 e 250 euros, o que corresponde a uma inflação de mais de mil porcento (1000%) no custo final. Esta mesma equação aplica-se certamente a todo o material fabricado naquela parte do Oriente: restos de petróleo+mão de obra barata+exploração laboral = altos lucros.

Lendo este pequeno texto tirado do iol.pt pergunto-me onde está o retorno social e ambiental destas marcas a nível nacional e mundial. Não deveriam estes "senhores" dar um contributo visivel para questões ambientais, construção de fundos artificiais etc, etc, etc. "Só em Portugal, as lojas de venda de produtos relacionados com o surf, como a Quiksilver, Billabong e Rip Curl, movimentam entre 30 e 40 milhões de euros por ano. Só a Quicksilver, líder do mercado, facturou em 2008 cerca de 13 milhões de euros e a casa-mãe mais de mil milhões de euros, posicionando-se já como a quinta maior marca de desporto do mundo."

01/01/09

Evolução x Usurpação x Revolução x Devolução- Parte I

Correr vagas de Mar tem sido um processo desenvolvido ao longo de séculos, inicialmente em diversos pontos do Pacífico (?), sendo trazido para o ocidente nos anos 20/30 do séc.xx por alguns entusiastas/praticantes, e não por qualquer tipo de marca pois nesta altura estas não existiam. Cai assim por terra a falsa teoria de foram as marcas que inventaram o "surf".

No presente momento vivemos o período da Usurpação, no qual a Indústria (do surf, bodyboard e afins) tomou para si todo o controlo do contexto dos agora denominados "desportos de ondas". A Indústria com a colaboração dos média projecta na sociedade toda uma série de (falsos) "idolos" competidores e free-riders patrocinados que se apresentam como modelos de um modo de vida, o qual todos os restantes praticantes devem seguir. Claro está que para ser um surfista (ou simlar) moderno cada um de nós deve ter todo um conjunto de objectos materiais que façam de nós aderentes miltantes ao "surfing way of life", tendo sempre como deus uma qualquer marca, a qual devemos seguir e idolatrar sem questionar. As marcas passaram a ser tudo. As marcas passaram a ser indissociáveis das Ondas, chegando mesmo tornarem-se mais importantes do que as Ondas: o patrocinado pela marca x apanhou a maior Onda do mundo e só fez porque na sua aventura mediática usou o prancha z ou o fato y. Este passou a ser o pensamento actual aceite pela maioria dos ditos surfistas.

É deste modo necessário que se processe uma Revolução de mentalidades que tranforme cada praticante num indivíduo dotado de uma consciência bastante mais abrangente do que a actual, na qual somos apenas consumidores amorfos e paineis publicitários através do surf-wear. Com esta Revolução de mentalidades a Indústria será forçada a tomar o seu devido lugar: servir quem a sustenta ao invés de se servir sem qualquer retorno social ou ambiental. Aqui terá inicio a fase da Devolução. 

Na fase da Devolução a indústria terá necessariamente, por via da evolução da mentalidade dos praticantes, que servir e contribuir de forma positivamente activa na sociedade e no contexto das actividades de Ondas. Deixará de ser o topo para ser o sustento, deixará de a raínha para se tornar a serva. Deste modo o largos milhares ganhos com o surf, bodyboard e afins (considero tudo amesma indústria) serão usados não para comprar barcos e aviões para explorarem as Ondas, mas sim em projectos de carácter ecológico e ambiental, não para financiar viagens milionárias a equipas de patrocinados pelo mundo, mas sim para financiar projectos de protecção a Ondas ameaçadas, construção de fundos artificiais que permitam aumentar a qualidade das Ondas existentes,  e escoar o número de praticantes em determinadas zonas costeiras. A indústria passará a a usar o dinheiro ganho não apenas e unicamente para se sustentar, mas sim para servir o interesse real de quem a sustenta. Será assim obrigada a tornar-se uma indústria consciente. Cabe a cada um de nós tornar esta Devolução uma realidade.

29/08/08

Esclarecimento Importante

Uma das principais críticas feitas aos simpatizantes da vertente soul (e por isso não-comercial) de surfar é o facto de usarem fatos e pranchas criados pela indústria que criticam e que paralelamente sem esta indústria não existia surf ou bodyboard.

A questão aqui não é a critica à existencia de marcas, mas sim o total dominio destas no contexto das Ondas e actividades associadas. A crítica feita é a deturpação de surfar como um acto de comunhão com a Natureza, para se tornar num mero produto de consumo que apenas serve para vender algo e promover egos sem olhar a meios para atigir fins. As marcas e a indústria têm o seu papel e importância no referido contexto, mas não são a fonte, o ínicio nem o fim do processo. Correr Ondas começou como uma mistura entre ritual cerimonial e actividade lúdica, sendo posteriormente e ao longo do tempo transformada num mero desporto, muitas vezes totalmente desprovido de alma, no qual cada Onda corresponde apenas a uma pontuação que visa encontrar um vencedor que por sua vez vende as marcas que o patrocinam. De um extremo ao outro deste processo (in)volutivo desenvolveram-se várias abordagens que pendem mais para um extremo ou para o outro.

Uma outra crítica à vertente soul baseia-se no suposto argumento de que todos nós que vamos ao mar correr Ondas devemos gratidão às marcas e à indústria que fabricam o diverso material que utilizamos. Esta suposta gratidão esgota-se no exacto momento em que se paga (e bem) pelo material utizado para surfar, sendo que as marcas é que deveriam agradecer por haver quem lhes compre produtos e lhes pague o sustento e não o contrário. Ao criar novos produtos e materiais a industria não está a fazer favor algum a quem surfa, mas sim a encontrar meios de poder continuar a vender e a sustentar-se.

Querer negar o direito de quem surfa criticar a forma de actuação do surf e bb business é o mesmo que dizer que quem surfa não pode ter consciência e preocupações ambientais, uma vez que utiliza produtos derivados do petróleo para o fabrico de pranchas e fatos. Mais uma vez a responsabilidade desta utilização de materiais poluentes deveria ser uma preocupação primeira dos fabricantes que tem a responsabilidade de encontrar alternativas viáveis (tal como as pranchas surf feitas em balsa). A partir do momento em que existe possibilidade de escolha cabe ao consumidor agir de acordo com as suas convicções ambientais.

Pessoalmente penso que existe uma sobre-valorização do lado comercial/competitivo que fomenta uma mentalidade agressiva-competitiva na qual existe constantemente uma fricção pouco saudável. Simultâneamente as marcas e indústrias estão apenas voltadas para si mesmas e para os seus lucros, não existindo um retorno social visível para com o a comunidade que a sustenta nem para com o meio ambiente.

30/08/07

Sobre as Escolas e os Campeonatos

Qualquer iniciativa que vise a exploração comercial e transformação dos "desportos de ondas" em produtos de consumo é sempre questionável, e do meu ponto de vista reprovável. Surfar é algo que não se vende, é algo que não é um produto de consumo, é um prazer que se aprende, mas não se ensina, é uma filosofia de vida e não uma competição medidas em pontos e em número de manobras. Surfar é acima de tudo uma arte de correr Vagas de Mar e como arte que é está mais perto da poesia visual e da dança do que do desporto. As escolas e os campeonatos pouco ou nada têm de lúdico e apenas fazem parte de um negócio que não visa servir alguém, mas sim converter o acto de surfar em algo vendável.

Surfar é algo que não se paga para aprender, mas sim que se transmite com amizade àqueles com os quais nos identificamos. É também algo que se apreende sozinho por sentimento, emoção e vontade de evolução e superação pessoal.

Surfar é algo que não pode ser medido em pontos, e que se deturpa quando é usado como forma de vender algo e de promover comportamentos de consumo.

26/02/07

Sobre Algumas Críticas ao Altar Mar


Críticas ao Altar Mar: umas construtivas outras meramente destrutivas...

Quando criei estre blog sabia que iria sofrer bastantes críticas. Basicamente estas vêm de dois lados: por um lado do "Surf Busines", por outro de pessoas que foram durante anos "educadas" e condicionadas por esta indústria de forma a terem opiniões que favorecem o florescimento deste negócio.

A principal crítica que me é feita baseia-se no facto de que se não fosse pelas revista e pela indústria ninguém surfava, a começar por mim, logo e segundo esta lógica, não posso criticar pois sem o "magnífico Surf Busines" nada existiria. Visto que o ataque é quase sempre pessoal respondo também pessoalmente que quando comecei a surfar em 89 não havia revistas de BB em Portugal (pelo menos que conhecesse na altura) e que a minha iniciação a esta arte de correr ondas foi feita através de um amigo que tinha uma prancha, bem como através do entusiasmo de ver na praia outras pessoas a surfar. Estas duas situações fizeram-me abandonar o SkimBoard (a minha primeira paixão de praia aos 12/13 anos) e abraçar o BB até hoje. No meu caso pessoal não comecei a surfar devido a nenhuma influência artificial criada pelo "surf Busines", mas sim pelo simples facto de gostar de praia e de mar.

Mesmo quem começou a surfar por influência de uma revista ou afins tem todo o direito de apontar o dedo a situações que considera erradas e só quem não tem sentido crítico não questiona a forma como actualmente esta indústria se aproveita daqueles que partilham uma paixão desinteressada pelas ondas, não respeitando inclusivé os consumidores que a sustentam. Só quem não se sente como fazendo parte integrante da Natureza, daquela praia ou pico onde costuma surfar pode ficar indiferente ao aproveitamento que revistas, fotógrafos e marcas exercem sobre essas ondas sem que retribuam algo em troca. O que fazem as grandes marcas quando uma onda está ameaçada de destruição por uma marina? O que fazem as grandes marcas, que até já estão representadas na Bolsa de Valores, perante os problemas ambientais que nos afectam a todos e também aos seus consumidores? Que retorno dão ás praias, ao mar e ás ondas as revistas que tanto as exploram e expôem aumentando a pressão humana sobre certas zonas com o inevitável aumento de lixos e destruição da paisagem pela constante passagem de carros cheios de "desportistas radicais"? Penso que a resposta é óbvia, e tendo em conta os lucros astronómicos que os visados têm era de esperar algum tipo de retorno ou contribuição verdadeiramente útil e positiva.

Por fim o facto de necessitarmos de fatos e pranchas para surfar, não nos torna lacaios desta indústria, uma vez que não nos é feito favor nenhum visto que pagamos (e bem caro!) por todos os produtos que utilizamos. A indústria necessita mais dos seus consumidores do que os consumidores da indústria. Se não tiver uma prancha nova para surfar, vou ao mar com uma das antigas que tenho guardadas, simultâneamente há muitos anos que deixei de comprar revistas e surfwear...

Espero ter respondido a algumas críticas que me foram feitas.

P.S: Todas as criticas e comentários são bem-vindos e serão publicados, excepto aqueles que sejam ofensivos. Viva a liberdade de expressão!

07/02/07

Sobre os "SurfMedia" e a sua acção negativa - Parte I


Um exemplo da acção dos Surf Media na California...Portugal irá pelo mesmo caminho.

Existe uma relação directa entre os "SurfMedia" e o aumento do crowd. Cada vez que uma onda ou praia aparece numa revista, filme ou internet aumenta o número de potenciais interessados em surfá-la. Se essa onda for totalmente desconhecida passa a ser cobiçada por todos aqueles que dela tiveram conhecimento, muitas vezes numa tentativa de busca de fama e glória resultado de terem sido os primeiros, ou quase os primeiros a "desvirgindá-la". Se a onda já é conhecida e tem os seus poucos frequentadores habituais torna-se então palco de um conflito de interesses entre aqueles que a surfavam anteriormente à sua exposição pública e os recém chegados, que sem qualquer ligação geográfica ou legitimidade prévia se acham no direito de poder disputar no pico as melhores da série.

Exemplos concretos: a zona onde vivo e surfo é sem dúvida uma das mais desejadas do país e por isso fortemente exposta aos média, o que faz com que ano após ano mais pessoas a tenham como destino principalmente nos dias de vento leste, o resultado é um aumento em espiral do crowd e do mau ambiente dentro de àgua, com uma quantas figuras a querem mandar sobre algo que não têm direito algum, o que acarreta as já conhecidas consequências. Outro exemplo é Paço d'Arcos que até 98 era um secret, onde era possivel surfar ondas cruzadas com o máximo de 5 bodyboarders na àgua. Era quase um sonho, uma onda tão boa e tão perto da marginal passar quase totalmente despercebida. Durante mais de um ano sempre que podia e que as condições eram favoráveis deliciei-me com aquelas rampas magníficas. Porém o sonho acabou quanto na Vert foi publicada a primeira foto deste pico com a legenda "Paço d'Arcos, um pico muito cómodo". Logo após esta publicação, entrou uma ondulação perfeita para esta pequena praia, que nesse dia passou do normal de 5 para 27 bodyboarders na água. Literalmente de um dia para outro este pequeno paraíso tornou-se num grande inferno, com cenas de pancadaria ao melhor nível. Hoje é daqueles sítios que não faço grande questão de surfar...Neste caso concreto o fotógrafo Ricardo Bravo e a revista Vert são directamente os responsáveis, uma vez que de forma totalmente negligente acabaram com mais um local onde era possivel surfar harmoniosamente.

Cada vez que compramos um revista ou um filme, o que estamos a fazer não é mais do que financiar monetáriamente projectos que mais tarde ou mais cedo acabam por nos prejudicar. Quem financia estas iniciativas está no fundo a dar uma autorização aos seus mentores para que voltem a fazer o mesmo que fizeram em Paço d'Arcos. Da próxima vez que um fotógrafo for a vossa terra já sabem o que vem a seguir...(a continuar brevemente)

P.S: neste tópico abro uma excepção e refiro o nome de uma onda, de modo a poder ilustrar e dar sentido ao mesmo. Esta será uma das raras excepções em que tal acontecerá.

06/01/07

Sobre a Indústria (do surf, bodyboard e similares)

O conflito entre a Indústria e a Natureza também presente no mundo das ondas.

Toda a Indústria têm a infeliz tendência
para explorar até à exaustão o meio do qual depende. O conceito de Desenvolvimento Sustentável está ainda longe de ser uma realidade no meio dos "desportos de ondas" e o aumento em espiral de praticantes compromete diáriamente a qualidade de vida de todos aqueles que vêm as ondas como um supremo prémio após um dia ou semana de trabalho.

O prazer lúdico de surfar
, que teve a sua origem nos antigos reis polinésios e que era entendido como algo de quase sagrado, tornou-se na modernidade num desporto e mais recentemente num "desporto radical" vocacionado para o espectáculo com a intenção de atrair cada vez mais público de forma a que este, por sua vez se torne consumidor dos diversos produtos comercializados pelas diversas marcas que compõem esta indústria. Nesta realidade o prazer de correr vagas de mar está actualmente quase refém desta indústria, que se impõe de uma forma agressiva dirigindo e condicionando o modo de pensar e actuar das novas gerações, e mesmo até dos não já tão novos que nunca tiverem a coragem ou lucidez para serem iguais a si próprios e desvincularem-se das suas directivas e manipulações.

O acto de surfar, independentemente da sua forma, tende a tornar-se hoje em dia num mero objecto de consumo que serve para se vender a si próprio (vende pranchas, fatos, roupas e até acessórios inúteis), bem como para vender produtos totalmente exteriores a actividade (desodorizantes, sabonetes, carros etc). Actualmente o ostentar o símbolo ou a marca é tão ou mais importante do que o correr uma onda...

Esta auto-proclamada indústria, e tal como outra qualquer, tem apenas como principal objectivo vender e facturar, utilizando para tal todas as estratégias de Marketing e Publicidade ao seu alcance. Em termos de Publicidade a indústria usa os seus consumidores como suportes publicitários que gratuitamente promovem os seus logotipos e simbolos, constantemente estampados em todos os produtos. Nos anos 90 o "surfwear" era composto por motivos e imagem de ondas a serem surfadas, hoje a maior parte desta roupa limita-se a apresentar um logotipo da forma mais visível possivel, de forma a que possa ser visto pelo maior número de pessoas, que são utilizadas como suportes de publicidade grátis. Pessoalmente não me sinto bem em ser usado desta forma e por isso não consumo estas modas, que são lançadas e impostas para nos fazer pensar que também fazemos parte do "grupo".
Inserido nos seus planos de Marketing a indústria lança constantemente no mercado novos produtos, novas pranchas e novos fatos, de forma a manter e aumentar o seu nível de vendas. Muitos dos produtos lançados e entendidos como fruto da investigação e desenvolvimento, não passam de meros objectos de consumo que apenas tem a "vantagem" de se apresentarem como novidade, não trazendo nenhum benefício real para o consumidor e muito menos para a comunidade.

Um exemplo concreto: No final da década de 90 os tails das pranchas de bodyboard mudaram significativamente de formato, introduzindo-se o "Bat-Tail" (arredondado com pequenos ângulos dos lados), o qual na realidade e de uma forma geral funciona bem em todo o tipo de ondas. Tornou-se assim obsoleto o tradicional "Tail" Crescente, passando as grandes marcas e os competidores a apostar neste novo design pelo seu bom desempenho e caracteristicas inovadoras. Hoje em dia, e passados alguns sem inovações significativas que pudessem criar novas expectativas nos consumidores, voltaram a introduzir o tal "Tail" Crescente original, afirmando que afinal este design permite um melhor desempenho em ondas grandes e buraco...afinal era obsoleto, mas agora já tem utilidade?!? Existem inúmeros casos idênticos a este no surf e basta estar por cá à alguns anos com alguma atenção para ver as voltas e estratégias que a indústria usa para animar o mercado e fazer aquilo que lhes interessa: vender, vender e vender.

Um outro assunto é o do retorno social que a industria deveria dar ao meio e à comunidade que a sustenta. Este retorno na realidade é nulo ou quase nulo face aos lucros desta indústria, uma vez que se limita a:
1) introduzir novos produtos no mercado, sem os quais não poderia continuar a ganhar dinheiro, pelo que este factor não pode ser entendido como retorno social para com a comunidade, mas antes como a forma desta indústria encontrar a sua sustentabilidade e viabilidade económica.
2) promover campeonatos, que mais do que provas desportivas são acima de tudo eventos promocionais e publicitários dos diversos participantes e seus patrocinadores.
Quando me refiro a retorno social, refiro-me a algo que a indústria faça regularmente para benefeciar a comunidade que a sustenta (financiar sistemas de tratamento de esgotos para despoluir as praias, apostar no desenvolvimento de fundos artificiais que permitam criar novas ondas de qualidade e assim diminuir a pressão e concentração do crowd). Sinceramente não me consigo lembrar de nenhuma iniciativa altruista e desinteressada desenvolvida por uma grande marca em prol do praticante anónimo que é a base de todo este negócio, uma vez que é quem compra os produtos. Lembro-me, isso sim, do retorno dado aos patrocinados das marcas e até de alguns vendedores que vão passear pelo mundo e surfar as melhores ondas do planeta à custa dos milhões que alguém lhes entrega só para ter uns calções iguais, ou quase iguais, ao campeão do mundo...e lembro-me
também dos bons carros em que andam, o que espelha bem os lucros do negócio.

Deixo aqui uma pergunta: Que iniciativas realmente úteis, visiveis e empenhadas foram desenvolvidas pelas grandes marcas internacionais representadas em Portugal de forma a pressionar, sensibilizar ou a dissuadir o Governo Regional da Madeira relativamente à construção das inúmeras infraestruturas que destruiram ou diminuiram a qualidade de várias ondas conhecidas naquela Região?

O Problema e a Solução:
Uma vez que a indústria tomou para si algo que não é seu sem qualquer tipo de retorno verdadeiro, cabe a todos os apaixonados pelas ondas tomá-las de volta. Para tal basta retirar força a esta indústria reduzindo-lhe os lucros e importância de uma forma muito simples: compar apenas o material estritamente necessário para surfar.