12/01/11

Altar Mar: O blogue da Resistência "Soul" - 4º Aniversário


Este blogue fundado em Janeiro de 2007 completa 4 anos de existência. Quatro anos de resistência "soul" a divulgar um ideal alternativo, isento e descomprometido de marcas, revistas, "campeões" e de toda essa pandilha que vive da exploração comercial das Ondas. Neste ano de 2011 o Altar Mar irá continuar a sua acção "combativa" em relação ao obscurantismo comercial que mina a comunidade que se faz ao Mar para surfar.

O Altar Mar é dedicado a todos os resistentes da vertente "soul" e a esta causa de forma geral. Se és um resistente continua um resistente até ao fim! Caso ainda não o sejas, não te deixes consumir e influenciar por ideais e interesses que em nada te beneficiam e que na realidade não são os teus. Mantém-te limpo da influência negativa e formatadora dos "mass media" da especialidade e dos seus escribas que apenas se dirigem a ti para te transformar num consumidor que sustente o seu modo de vida. Sê mais do que um mero consumidor amorfo que apenas defende os interesses da indústria (do bodyboard e do surf) e dos seus servos que na realidade não têm qualquer respeito por ti nem pelos teus interesses. Não vás nas cantigas viciadas daqueles que querem impor uma lógica mercantilista e transformar cada Onda numa "árvore das patacas" usando para isso todo o tipo de argumentos e lógicas retóricas, facilmente desmontáveis, mas que infelizmente ainda enganam alguém.

Torna-te um Corredor de Vagas Livre que apenas serve o Mar e que tem na causa "Soul" uma fonte de inspiração e um modo de vida!

22/12/10

Alguém Disse II...


"O futuro do Bodyboard (e do Surf) não está em seguir cegamente os profissionais, nem tão pouco em seguir a oferta de uma indústria que somente procura o lucro...."

08/12/10

As Espadas de um Samurai


"Um Samurai honra as suas Espadas e as suas Espadas honram-no" - Hiro Atasaki (Em Desenvolvimento)

19/11/10

O Arquitecto: O mais influente Corredor de Vagas Português


Sem seguidismos ou idolatrias (que são coisas para quem não pensa por si próprio) há que reconhecer a devida importância deste Corredor de Vagas insular. Apesar das eventuais "falhas" que lhe possam apontar ou discordâncias circunstanciais que se possam referir (eu próprio não concordarei com algumas das suas posições), este foi sem dúvida a mais relevante individualidade no panorama nacional relacionada com o contexto das Ondas. Certamente haverá quem não concorde, mas isso não retira qualquer valor à sua "obra".

Desta "obra" faz parte a fundação da COCOVAMA e a redacção dos seus estatutos, os quais resumem de forma clara a essência pura do associativismo ligado às Ondas, a qual deveria estar sempre presente e ser um exemplo a seguir. Fica igualmente ligado ao Arquitecto a "implementação" de uma mentalidade "soul" de carácter anti-comercial que influenciou durante os anos 80 e 90 a comunidade local e regional, ainda hoje presente em muitos outros Corredores de Vagas. De referir também as diversas accções que visaram proteger o respectivo contexto geográfico na mão gananciosa e consporcadora dos surf media e seus respectivos servidores. Inserido neste espírito a primeira "expedição" do Storm Rider Guide foi recebida a cânticos de baleia em pleno aeroporto de modo a entenderem que as Ilhas são "for the soul and not four de money" e que os seus habitantes não se vendem por um punhado de fotos ou pranchas em segunda mão. São também da sua autoria inumeros projectos e textos, alguns destes escritos às mais diversas publicações nacionais e internacionais tendo em vista o seu afastamento da Região apontado-lhes concreta e claramente as consequências negativas da sua acção.

Como já referi podem ser apontadas ao Arquitecto "falhas",
mas sem dúvida o seu contributo supera largamente algumas das suas acções passiveis de serem criticadas. Sem esquecer todos os outros que contribuiram para os mesmos objectivos é importante reconhecer a importância da sua acção.

Um Bem-haja para ti J.L e para toda a COCOVAMA.

Viva a COCOVAMA, ontem, hoje e sempre!

30/10/10

Alguém Disse I...


"O surf e o bodyboard competitivo têm tanto sentido como o Yoga competitivo."

01/07/10

Manifesto Anti-Vert

Para a comemoração do exemplar número 100 da "Bíblia" do Bodyboard Comercial em Portugal decidi escrever um manifesto através do qual exponho as razões do meu total e absoluto desprezo e oposição à ideologia e estatuto editorial deste amontoado de páginas que ao longo dos anos tem poluído as cabeças de muitos dos que se fazem ao Mar.

Num breve resumo considero esta publicação (a Vert) como o maior lixo editorial dos "desportos de ondas" existente no nosso país.

As minhas razões, aqui, brevemente...

29/05/10

Associação "Corredores de Vagas do Atlântico" I


Foi recentemente lançada a primeira gota para a criação da Associação "Corredores de Vagas do Atlântico". O objectivo desta associação de carácter eco-activista é implementar, desenvolver e divulgar um novo modelo de desenvolvimento ligado às Ondas e actividades lúdicas associadas, através de todo o tipo de acções julgadas pertinentes e importantes para o efeito.

Esta associação tem como bases os valores tradicionais do "Soul Surfing" rejeitando qualquer ligação a iniciativas comerciais, competitivas ou outras que pela sua natureza tenham como objectivo a transformação do acto de surfar num objecto de consumo massificado.

A "Corredores de Vagas do Atlântico" exercerá a sua acção no plano local, regional e nacional, pretendendo levar a cabo acções diversas em todo o território português (Continente e Regiões Autónomas) com o objectivo de unificar todos aqueles que se reveêm nos seus estatutos, a publicar e divulgar brevemente, bem como defender os seus interesses e direitos. Serão bem-vindos a esta associação todos os corredores de vagas independente do tipo de prancha utilizado (incluindo-se também os praticantes de "bodysurf"). Esta associação pretende acima de tudo ser uma voz activa para todos os que se identificam com a vertente "soul" e com o tipo de valores e ideais que esta vertente inspira.

Mais informações em breve.

25/05/10

Junta-te á (R)Evolução


Evoluir e atingir alguma maturidade como Corredor de Vagas passa também pelo facto de se entender que existe um enorme fosso, um completo conflito de interesses entre nós (Corredores de Vagas) e a Indústria (do bodyboard e do surf) juntamente com os seus cães de guarda. O nosso objectivo é acima de tudo uma busca por um estado de comunhão e harmonia com o Mar e com as Ondas. O deles (da Indústria e dos cães de guarda) é transformar cada Onda surfada em euros, em dólares, em ganância, em algo que serve para vender os seus produtos . Para eles uma Onda não serve para ser surfada, serve para ser explorada como um vulgar objecto de consumo desprovido de qualquer valor ou conteúdo para lá do material.


Cabe a cada um de nós entender esta realidade e marcar a sua posição de oposição. Cabe a cada um de nós Evoluir e juntar-se á Revolução. Para bom entendedor meia palavra basta...

11/05/10

Bodyboard: O Triste Estado da Nação

Uma análise resumida de 22 anos de Mar e de Ondas em contacto com a realidade maioritáriamente pobre de espírito caracterizada por um misto fanfarão de gabarolice e frustração (devido à falta de apoios e reconhecimento público...) aliada a uma mentalidade tendencialmente mercantilizada e viciada em campeonatos e nas suas "estrelas", formada ao longo de anos por perspectivas editiorias, "jornalísticas" e pessoais baseadas em fracos argumentos e pobres conteúdos. Como diria Gonçalo Cadilhe " O surfista médio português nunca agradeceu a sorte de ser surfista. Canalha..." Lamento (como bodyboarder) ter que acrescentar que o bodyboarder típico português é bem pior.

O Mar e as Ondas são Grandes em todos o significados que cabem na definição de grandeza. O Bodyboard é sem dúvida uma "disciplina" extremamente eficiente para quem se quer aventurar em Ondas de dificuldade superior. Surfar é absorver a energia das Ondas e estar em harmonia com o seu tempo. Pena é que grande parte dos ditos bodyboarders e surfistas sejam pequenos (muito pequenos mesmo)...ainda quando gritam aos quatro ventos que são os maiores. - Em desenvolvimento

PS: agredeço que os comentários fiquem para após o texto estar terminado, de modo a que se evitem considerações dúvidosas e confusões quanto ao sentido que eu como autor pretendo dar a este texto.

16/04/10

Fundamentos Ideológicos do "Soul Surfing": Elementos Fundamentais - Parte II

Correr Vagas de Mar é um acto aparentemente simples que se desdobra numa complexidade de elementos variados, os quais de forma consciente (ou até inconsciente) podem ser desenvolvidos. A explicação deste esquema e de cada um dos elementos (os quais se dividem em diversos sub-elementos) fica para breve.

Fica aqui a ideia base: no Plano Superior encontram-se os elementos não-materiais (Mente e Espírito) ao passo que o Plano Inferior (Prancha e Corpo) corresponde à matéria física. No vertice comum entre os dois triangulos estão as Ondas, que pertencem simultâneamente aos Planos não-material e material e que nesta perspectiva correspondem à actividade central de um Corredor de Vagas.

PS: Como já referi anteriormente considero que o Soul Surfing tem as suas bases teóricas, sendo acima de tudo um conjunto de "Conhecimentos e Experiências", sendo esta uma abordagem pessoal.

02/03/10

Metáforas I: O Coiote e Carneiro (Parte III) - em desenvolvimento

Terminadas a Parte I e II desta primeira Metáfora, será brevemente publicada a conclusão deste texto. As referidas Partes I e II podem ser lidas umas quantas linhas abaixo destas.

21/02/10

Ilha da Madeira...


Dada a falta de palavras suficientes para descrever os efeitos do temporal na Madeira (e à impossibilidade de contacto até à presente data) deixo a todos os amigos Corredores de Vagas madeirenses e familiares um voto de solidariedade nestes dias complicados.

A irmandade entre Corredores de Vagas estende-se muito para além dos momentos vividos no cristalino Oceano.

07/02/10

Metáforas I: O Lobo Solitário, o Coiote, o Cão de Guarda e o Carneiro (Parte II)


O Cão de Guarda é o defensor dos interesses do surf/bodyboard business, para ele surfar resume-se a campeonatos, marcas, revistas, patrocínios, sendo que na sua perspectiva as Ondas são acima de tudo ou apenas um palco para o negócio e os praticantes de "desportos de ondas" meros consumidores passíveis de serem influenciados a comprar este ou aquele produto ou a assumir determinado comportamento de consumo. A função principal do Cão de Guarda é conduzir os Carneiros e defender o seu dono. A preocupação fundamental do Cão de Guarda não são as ondas, sim a forma como estas ondas podem ser usadas comercialmente, os videos e as fotografias que nelas podem ser feitas e a forma como poderão (eles próprios) aparecer nos diversos meios de comunicação. O Cão de Guarda tem uma fome insaciável de aparecer, de ser conhecido e de ser visto.

O Cão de Guarda apresenta-se de duas formas: Cão de Guarda de Marca, que representa as cores do seu dono (a quem chama patrocinador) ao mesmo tempo que tudo faz para se autopromover; e o Cão de Guarda Rafeiro que não tem qualquer tipo de apoios e que na ânsia de se tornar mais importante tudo faz para promover de forma generalizada a indústria, tendo a certeza que está a fazer algo de muito positivo e útil, ainda que não saiba bem explicar o quê. Em ambos os casos têm uma veneração doentia por ostentar os símbolos das marcas, que julgam eles, serem a coqueluche dos desportos de ondas. Alguns cães de guarda julgam que são patrocinados, mesmo quando apenas lhes dão uma barbatana e têm que comprar a outra, ou no caso mais ridículo, quando apenas lhes dão autoculantes de marcas, com que alegremente se adornam.

Normalmente o Cão de Guarda escreve em blogues, jornais, fóruns, revistas ou qualquer outro meio que lhe permita transmitir as suas ideias e tentar convencer alguém a comprar qualquer coisa, ou promover-se a si ou ao seu dono. Uma característica do Cão de Guarda é a forma agressiva como reage sempre que alguém critica o comportamento da indústria, de outros iguais a si, das revistas ou das marcas. O Cão de Guarda de Marca defende ferozmente as marcas a quem presta vassalagem (hoje uma, amanhã outra tal como um vil mercenário), o Cão de Guarda Rafeiro defende tudo o que esteja relacionado com o contexto, pois acha que se devem desenvolver e massificar os desportos de ondas de modo a que os Cães de Guarda de Marca possam viver das respectivas modalidades e que os seus patrocinadores enriqueçam, pois na sua ignorância ingénua surfar foi algo inventado por uma qualquer marca ou revista (a quem todos deveriam venerar), não conseguindo entender que o que estas fizeram foi transformar algo que já existia num produto de consumo, limando para tal as arestas necessárias.

Um dos aliados do Cão de Guarda é o Abutre, o qual na realidade não surfa (ainda que tenha uma prancha no seu ninho). O Abutre sendo alguém que não surfa vive da exploração das ondas, normalmente sob a forma de fotografias ou videos, que vende a quem mais lhe paga, sendo-lhe completamenta indiferente as consequências do excesso de divulgação dessas mesmas ondas. Para o abutre quantos mais nas ondas melhor, pois assim maiores são as possibilidades de obter mais lucros. O Cão de Guarda e o Abutre são a antítese, o contrário e a negação do Lobo Soliário (e também do Coiote...), do seu espírito, dos seus ideias e da sua forma descomprometida materialmente e pura de Estar e de Ser encontrando-se em lados totalmente opostos e inconciliáveis.


PS: após a publicação deste texto foram acrescentadas algumas linhas de modo a que todo o sentido do mesmo seja mais explícito, ainda que de forma metafórica.

16/01/10

Fundamentos Ideológicos do "Soul Surfing": Definição e Ideias Base - Parte I


Soul Surfing: expressão que remete para uma ligação espiritual, entre corredores da vagas e o Mar, desprovida de interesses económicos, em deterimento da envolvente comercial, competitiva e profissional. - baseado na definição que consta no livro "No Princípio estava o Mar" de Gonçalo Cadilhe.

Partindo desta definição concensual entre praticantes da vertente "Soul," pode ainda acrescentar-se que o "Soul Surfing" não está relacionado com qualquer teoria ou tendência politica de esquerda ou de direita (como já algures li alguém querer fazer crer), estando igualmente acima de qualquer convicção religiosa específica. A vertente "Soul", quer seja não-comercial ou anti-comercial, tem apenas por base a aceitação da existência de algo superior no plano espiritual relacionado como o Mar e mais especificamente com as Ondas.

A vertente "Soul" pode ser (e é muitas vezes) cruzada com convicções pessoais que vão muito para além do plano meramente materialista, sendo por isso um conjunto de "Conhecimentos e Experiências" através dos quais se entende o acto de surfar de uma forma mais profunda, extensa e para lá do imediatismo das sensações puramente físicas, também estas importantes, mas não um fim em si mesmas.

Uma das bases do Soul Surfing é exactamente o entendimento da distanciação e difrença entre o "Soul" e o comercial que se expressa na frase internacionalmente conhecida "Surf for the Soul not for the money". Querer misturar "Soul" e negócio é não entender minimamente o que significa esta definição nem as vivências a esta ligadas. Quem não entende esta diferença tenderá a afirmar que o "Soul Surfing" não existe, porém a incapacidade de alguém entender algo não significa a sua inexistência, significando apenas uma incapacidade particular dessa mesma pessoa em reconhecer essa existência.

18/12/09

Metáforas I: O Lobo Solitário, o Coiote, o Cão de Guarda e o Carneiro (Parte I)



O Lobo Solitário representa a mais elevada forma de dedicação ao Mar e ás Ondas. O Lobo Solitário percorre o mundo em busca da onda perfeita, do dia épico e daquele momento único, que talvez não se repita novamente ao longo da sua existência. O seu objectivo de vida é esta busca, desprovida de qualquer intenção de reconhecimento, ego, fama ou interesses financeiros. O Lobo Solitário vai sozinho, encontrando por vezes outros iguais, na sua busca pessoal por alimento espiritual que apenas a energia da Ondas proporciona. Apenas isto é principal. Tudo o resto é supérfulo, acessório, pouco importante e sem qualquer sentido ou justificação. O Lobo Solitário alimenta-se em paragens despovoadas e inóspitas onde apenas pode contar consigo mesmo.

Este espírito indomável representa a essência de surfar
e por isso mesmo esta figura sofre de plágio, por parte do surf-business que através dos seus cães de guarda, lhe tentam usurpar falsamente o lugar. Um exemplo disto pode ser visto no recente filme "The Drifter" no qual um tal de Rob Machado (um cão de guarda que dizem ser importante...) aparece como alguém que, farto dos campeonatos e do "crowd" que o próprio ajudou a aumentar na Indonésia, finge ir sozinho à descoberta da "onda perfeita e sozinha". Tudo neste filme é um fingimento e uma ficção que se tenta passar como verídica para o mais desatento espectador. "Sozinho", mas com um jipe sempre atrás, com o seu "staff" de apoio, pranchas novas, cameras de filmar, fotografar e tudo o resto finge enfrentar uma série de privações e desafios, que seriam realmente genuínos se tivesse a coragem de fazer deste filme de ficção uma realidade e aventurar-se realmente "by himself", mas isto não lhe pagaria o ordenado, pois não traria qualquer retorno à marca que o sustenta e a quem presta vassalagem. É de notar as roupas velhas, o cabelos descuidados e o corpo sujo, mas sempre com a sua mochila em óptimo estado na qual se pode ler a marca que o patrocina. Resumindo o filme é uma falsidade e uma ofensa a todos aqueles que têm a coragem de sozinhos aventurarem-se pelo mundo contando apenas com a sua força e a sua vontade.

O Lobo Solitário, na sua essência,
corre o risco de se extinguir, sendo substituido por um falso e oportunista cão de guarda.

03/11/09

Campeonatos do mundo e outras coisas realmente pouco importantes II: O surf turismo massificado

Associado ao turismo dos campeonatos, está também o turismo de surf de forma massificada, o qual tem sido alvo de estudos universitários e financeiros sobre a sua viabilidade e benefício económico para o país. Um "cluster" (mercado-alvo) por explorar dizem as iminentes figuras que se esqueceram de colocar nas suas equações matemáticas a mais importante variável que acenta no simples facto de que o excesso de praticantes não ser compatível com o desenvolvimento sustentável e sustentado da actividade e que ao massificar tendo em vista objectivos de milhões de euros por ano se mata a galinha dos ovos de ouro.

Num desses estudos era apresentado um panorama no qual 10 Km de costa portuguesa com ondas de qualidade e que tivessem em permanência 2000 (dois mil) turistas a ficarem na zona uma semana representaria uma receita anual de 100 milhões de euros. Ora 2000 turistas divididos por 10 Km daria 200 turistas por cada km ou seja 5 pessoas por metro, o equivalente à lata de sardinhas. Acrescentando a estes 2000 turistas outros 2000 residentes (certamente que serão muitos mais) dá para entender que algo iria correr muito mal com todos estes muitos mil praticantes dentro de água a disputarem ondas e claro está que esses 2000 turistas apenas teriam acesso aos restos de ondas que os residentes (já de si demasiados) lhes deixassem. Exemplos negativos como este são uma realidade na Austrália, California, Canárias e no Havai com todas as consequências negativas conhecidas ao mesmo tempo que continuam a existir projectos de engenharia marítima que poêm em risco alguma ondas conhecidas e que atraem milhares de turistas.

Até entendo a lógica bem intencionada de quem fez este estudo que teria como finalidade mostrar que a preservação das ondas poderia ser uma mais valia para a economia de uma região, mas na realidade este estudo é apenas baseado em factores técnicos esquecendo o factor humano que é o mais importante e complexo na avaliação de qualquer situação. Por outro lado colocar a questão apenas no dualismo: turismo massificado versus destruição das ondas é reduzir as opções, anular a democracia em que vivemos (ainda é uma democracia, não é? ou pelo menos dizem-nos que sim...) e apresentar argumentos errados para a resolução dos problemas ao mesmo tempo que se criam novos problemas em cima dos já existentes.

01/11/09

Campeonatos do mundo e outras coisas realmente pouco importantes I























Em Portugal durante este ano realizaram-se 5 "importantes" etapas dos circuitos mundiais
de bodyboard e de surf. Algumas mentes brilhantes afirmam que estes eventos são uma enorme vantagem para os desportos de ondas e até para a economia do país. Certo é que trazem dinheiro ao comércio local, que dinamizam a vertente competitiva nacional, que geram muito dinheiro e tal e tal. E para quem surfa (leia-se quem surfa apenas por prazer e amor à arte) quem vantagens trazem? Dos milhões ganhos que percentagem é usada para promover a preservação das várias ondas ameaçadas em todo o país? Será que nos locais onde foram realizadas essas provas deixaram de haver descargas de esgotos a céu aberto (Molhe Leste e Monte verde) ou que se aumentou a sensibilidade das autarquias para a preservação das Ondas?

Parece-me óbvio que qualquer receita financeira gerada por quaquer coisa relacionada com os "desportos de ondas" deveria reverter acima de tudo e em primeiro lugar em favor da comunidade e não apenas a favor dos competidores que ganham os prize-money ou para a economia local que aproveita a situação para ganhos extra sem qualquer reinvestimento no surf ou bodyboard nos seus diversos contextos. Algumas mentes brilhantes dirão que é um benefício, uma mais valia e outros argumentos similares poder ver ao vivo os melhores do mundo. Pois para mim este argumento nem sequer é argumento e acredito que existam mais pessoas que não se contentam em que o retorno do surf business perante a comunidade seja apenas presente-á-las com os melhores artistas do circo de surf e bodyboard mundial. "Com pápas e bolos..." diz o ditado popular.

Com os milhões ganhos e gastos não seria mais útil promover a construção de fundos artificiais que protejam a costa da erosão do mar, que aumentem a diversidade de opções e a qualidade das ondas em diversos lugares que sofrem de excesso de praticantes por m2. Isto sim seria uma vantagem real para toda a comunidade e o caminho mais correcto para dar resposta a actual realidade. Há que entender que o surf business tem uma lógica fechada na qual se serve a si mesmo e apenas áqueles que nele participam, esquecendo-se totalmente da sua base de sustentação que é a comunidade, que não compete, que é anónima e que de uma ou outra forma surfa por por amor à arte. O pior é mesmo quando uma parte significativa (talvez a maior parte mesmo...) dessa comunidade, não exerce o seu direito em exigir responsabilidade e contrapartidas em relação aos negociantes das ondas, abdicando do seu sentido crítico que foi trocado pela adoração dos idolos, dos campeões, das marcas e dos campeonatos para português ver.

21/10/09

Mar de Inverno

Hoje é o primeiro dia verdadeiramente de Inverno. É o primeiro dia de Mar de Inverno. Não está bom para surfar (talvez haja umas ondas num canto qualquer carregado de pessoas...), não está bom para os grandiosos campeonatos, não está bom para as fotografias, não está bom para impressionar as babes com a prancha, óculos e calções "surfing style". Apesar de não estar bom para surfar, está óptimo para perceber o que realmente é o Mar, pois é desta aparente escuridão que se aprende a ver de forma clara a verdade das coisas.

29/08/09

A Publicidade torna-nos estúpidos. A Publicidade toma-nos por estúpidos


Esta é a regra nº1 para quem leia uma revista de surf ou bodyboard
. As revistas de bodyboard e surf tem, de forma generalizada, como objectivo primeiro vender algo. Muitas afirmam-se como as responsáveis pelo desenvolvimento dos "desportos de ondas" ao mesmo tempo que promovem a defesa dos interesses dos seus praticantes, mas na verdade e na prática pouco ou nada mais fazem do que impingir modelos de comportamento tendo em vista o consumo das marcas que nelas anunciam.

Quase tudo numa revista é publicidade, quer seja esta paga ou não, directa ou indirecta, explicita ou encoberta. Como? As incessantes páginas de publicidade são a primeira linha e a mais óbvia, porém as entrevistas e as fotos com as marcas patrocinadoras estrategicamente colocadas têm como objectivo fazer passar uma mensagem: quem usar a marca X vai ser igual ao fulano que é campeão e que usa essa mesma marca. Esta é a base estratégica de toda a indústria do bodyboard e do surf: tentar convencer-nos que se comprar-mos os produtos que os "prós" usam seremos iguais a eles. Aqui reside a dualidade que dá origem ao título deste deste texto. Por um lado a publicidade julga que apenas por transmitir algo consegue convercer o público (ou seja toma-nos por estúpidos), por outro é bem verdade que pela "força" das mensagens transmitidas muitos se deixam facilmente convencer abdicando do seu sentido crítico (ou seja tormam-se estúpidos).

Lembro-me de ler algo sobre a estratégia de Marketing usada por uma grande marca, a qual fez coincidir a inserção de publicidade dos novos calções de um mega campeão do mundo com a distribuição antecipada e massificada desses mesmos calções em todas as lojas em que era vendia. A ideia era criar a necessidade (de ter os tais calções) e consequentemente provocar um comportamento de compra (o de comparar os tais calções).

Termino este texto com três questões. O que se poderá pensar de alguém que vai a correr comprar uns calções apenas porque são de um qualquer campeão do mundo? O que se deverá pensar das marcas de surf e bodyboard que usam todos os estratagemas possiveis e imaginários para impor os seus ideiais mercantilistas à comunidade com o objectivo de transformar cada um de nós num mero consumidor? O que pensar destas marcas e dos seus "cães de guarda" que visam o lucro fácil através da transformação da Arte de Correr Vagas de Mar num mero produto de consumo massificado, descaracterizado e estereotipado?

18/07/09

A "Sociedade Secreta" Irlandesa





















O barco mercantil dos exploradores sem alma brevemente será afundado...

Existe na Irlanda um movimento de Corredores de Vagas
cujo objectivo é travar, impedir e sabotar as iniciativas do surf-business. Antes da chegada deste Verão conheci um Corredor de Vagas irlandês, que após entender a minha perspectiva em relação às Ondas e ao acto de Surfar me falou de um grupo de conterrâneos seus que se opõem ao actual modelo de desenvolvimento dos chamados "desportos de ondas", baseado única e exclusivamente no negócio materialista, obliterando completamente a vertente espiritual desta actividade. Tentei em vão procurar na internet mais informação sobre este grupo, dai o título de "sociedade secreta". Pelo que sei é composto por corredores de vagas das várias disciplinas existentes nesta arte, os quais tem inspirações eco-ambientalistas passando pelo druismo e filosofias similares que buscam o encontro entre o ser humano e a sua Mãe Natureza. Sempre que possivel constroem as suas próprias pranchas e recusam o máximo possivel qualquer ligação ao "business" mercantil em que o mundo das Ondas se tornou. Paralelamente desenvolvem frequentemente actividades de boicote a campeonatos, divulgação de Ondas em surfmags e todo o tipo de acções que visem por um lado divulgar a vertente "soul" e por outro impedir que o lado comercial tome conta da zona onde habitam.

Em Portugal este tipo de mentalidade pró-activa e anti-comercial encontra alguns pólos de actividade, sendo nas Regiões Autónomas que se verificam os mais fortes sinais da sua existência, dado que no rectangulo continental o lado obscuro do negócio já consporcou quase totalmente o panorama com as consequências que se conhecem, sem que dai não tenha vindo nada de positivo para quem surfa por amor à arte.

Durante muitos anos a Cocovama açoriana pôs em prática o lema "Soul surfers são benvindos. Surfistas profissionais e fotógrafos vão para casa", nesta perpectiva recebiam bem quem sabia respeitar a essência das coisas e convidavam a ir embora os que não vinham por bem...

Na Madeira, apesar de "não-organizado" existe um movimento que fez frente e impediu a realização de campeonatos internacionais que alguns "gurus" continentais desejavam organizar na Região. O seu argumento é simples e credível: a realização destes campeonatos nada tráz de positivo, servindo apenas para explorar as Ondas sem qualquer tipo de benefício para os residentes que surfam. Por outro lado iria dar razão às autoridades madeirenses que afirmam que as continuas construções marítimas em nada afectaram a qualidades das Ondas. Qualquer um sabe que algumas destas Ondas foram seriamente afectadas e outras completamente destruidas.

Posto isto, são de louvar todos os que não se submetem à vontade alheia e que se batem pela manutenção de valores que vão muito mais além do que a vontade do vil metal e dos seus seguidores.